Cabo Verde

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 A integração dos países observadores da CPLP na acção diplomática internacional de promoção da língua portuguesa (LP) e a criação de uma «imagem de marca» para o português e para as culturas da comunidade foram duas das propostas avançadas pela Presidente do Instituto Camões, Ana Paula Laborinho, na intervenção que fez no colóquio Língua Portuguesa e Diálogo Cultural, realizado em Cabo Verde, durante a recente visita do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Intervindo no painel Desafios para a Língua Portuguesa no século XXI, no último dia do colóquio promovido pela Universidade de Cabo Verde, com o apoio do Instituto Camões, Ana Paula Laborinho apresentou alguns tópicos para o desenvolvimento de um «plano estratégico» multilateral que leve a comunidade internacional a reconhecer o português como «língua global, cujo direito de cidadania, inquestionável, urge ser protegido».

No colóquio, que decorreu no campus de Palmarejo, na cidade da Praia,nos dias 01, 02 e 06 de Julho, visando analisar e discutir temas ligados à literatura, cultura e língua portuguesas, tanto na perspectiva dos desafios do ensino do português no século XXI, como no aspecto da presença e da dinâmica cultural da língua portuguesa em Cabo Verde, participaram professores, escritores e responsáveis políticos de Portugal e Cabo Verde.

A Presidente do IC considerou que, «não sendo o valor da língua um dado fixo», nas razões para a aprendizagem do português como língua de comunicação internacional se deve partir de «uma análise lúcida das condições» que podem determinar o seu prestígio, salientando cinco domínios em que deve ser feita essa verificação, a saber, «a posição do Português como língua de comunicação científica»; o «estado da arte relativamente às terminologias científicas e técnicas» (defendendo Ana Paula Laborinho ser «urgente a sua harmonização no espaço da CPLP»); «a posição real da LP nos centros de poder regionais e continentais», promovendo a «criação de instrumentos de governação e negociação internacional em LP»; o «posicionamento da economia que fala a LP e os conhecimentos linguísticos das empresas estrangeiras que interagem com as empresas» dos países da CPLP (8º lugar no PIB mundial, em 2007); e por último «conhecer e reflectir sobre o estado da arte relativamente à prática da diplomacia económica e política em interacção com a diplomacia cultural».

Ana Paula Laborinho focou seguidamente aspectos relacionados com língua e desenvolvimento nos próprios países da CPLP, evocando um estudo segundo o qual «a literacia é um elemento chave e determinante tanto do capital humano como do capital social». Por outro lado, referiu, o conhecimento passou a ter maior importância no mundo do trabalho, devido ao processo de transformação tecnológica, conforme foi reconhecido em 2003 pela OCDE. «Na escolha do futuro, economia, cultura e saber constituirão o motor para o desenvolvimento das pessoas, dos países, das línguas», frisou a Presidente do IC.

A dimensão económica das línguas mereceria ainda uma outra reflexão à Presidente do IC, que chamou a atenção para as vantagens que poderão tirar os países da CPLP de um mundo globalizado, mas em que as trocas se fazem crescentemente dentro de grandes espaços – Europa, América e Ásia. Os «países da CPLP geograficamente distanciados das referidas ‘parcelas’ regionais, poderão integrá-las se considerarmos que o comércio internacional é facilitado por níveis de proximidade linguística». Um mecanismo potenciador de negócios em que colocou o português, o espanhol e outras línguas românicas.

Declarando caber à CPLP através de canais próprios, com destaque para o Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), «comprometer todos os Estados membros no desenho e concretização de estratégias comuns para o prestígio da LP como língua global», Ana Paula Laborinho enunciou diversos tópicos ao nível das estratégias. Advogou, assim, a potenciação da acção conjunta das diplomacias junto das capitais estrangeiras, como já acontece em Berlim, Havana ou Moscovo, propondo que os clusters diplomáticos da CPLP «integrem, também, as missões dos países observadores» da comunidade.Ainda junto dos países observadores, em seu entender, deve ser negociada «a integração do português como língua curricular

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