Cabo Verde

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O júri do Prémio Camões, o mais importante galardão literário da língua portuguesa, reunido terça-feira no Rio de Janeiro, decidiu atribuir o galardão de 2009 ao poeta cabo-verdiano Arménio Vieira.

Arménio Vieira, o primeiro cabo-verdiano a receber o Prémio Camões, nasceu na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 24 de Janeiro de 1941.

 

Além de escritor, Arménio Vieira é jornalista, com colaborações em publicações como o ‘Boletim de Cabo Verde’, a revista ‘Vértice’, de Coimbra, ‘Raízes’, ‘Ponto & Vírgula’, ‘Fragmentos’ e ‘Sopinha de Alfabeto’. Foi redactor no jornal ‘Voz di Povo’.

 

A atribuição do Prémio Camões a Arménio Vieira é o «reconhecimento da literatura e da visão literária importantíssima» do poeta cabo-verdiano, disse Helena Buescu, presidente do júri e professora da Faculdade de Letras de Lisboa.

 

O presidente da Fundação da Biblioteca Nacional no Brasil declarou, por seu lado, que a atribuição do Prémio Camões a Arménio Vieira é «uma homenagem à África». «Este foi o ano da África, é uma grande homenagem a um pequeno país que conquistou a sua independência a duras penas», afirmou Muniz Sodré ao referir que estava grato ao anunciar o nome de Arménio Vieira.

 

Numa reacção à atribuição do Prémio, Arménio Vieira disse que, a título pessoal, já esperava «ganhar», embora admitisse que ainda fosse cedo para um autor de Cabo Verde ser distinguido.

 

«A título pessoal, eu esperava o prémio. Mas por causa de ser Cabo Verde, admiti que fosse ainda um bocado cedo. É pequeno em relação à imensidão do Brasil, que tem centenas de escritores óptimos. E Portugal também. Seria muito difícil Cabo Verde apanhar o prémio», declarou, visivelmente emocionado.

 

O Prémio Camões, criado em 1988 pelos governos de Portugal e Brasil, distingue todos os anos escritores dos países lusófonos. O galardoado receberá cem mil euros.

 

O júri esteve reunido durante cerca de quatro horas e a escolha, segundo Buesco, foi feita por maioria e «por boas razões».

Por seu turno, o director do Instituto Camões no Brasil, Adriano Jordão, disse que o processo de escolha do vencedor «foi muito tranquilo, ninguém saiu magoado», pois todos os membros do júri chegaram a um consenso.

 

«Cabo Verde tem, de facto, uma tradição literária e cultural que merece o reconhecimento», considerou Buescu, da Universidade de Lisboa, que presidiu e representou Portugal no júri.

 

Apesar da escolha não ter sido fácil, Buescu destacou que o júri «soube evitar os mecanismos automáticos e soube contemplar aquilo que é a substância desse Prémio».

 

O galardão, segundo a professora da Faculdade de Letras de Lisboa, é atribuído a um autor e ao conjunto da sua obra que «merece ter um reconhecimento e repercussão, alguém que já produziu uma obra que merece entrar para um certo cânone das literaturas em língua portuguesa».

 

Adiantou que Arménio Vieira é «indiscutivelmente um caso que pertence a esse grupo». «Há sempre vários nomes que são ponderados, uns da poesia, outros da prosa, do teatro e, portanto, de géneros literários variados. Os outros candidatos eram igualmente fortes e tinham uma obra muito convicta», salientou.

 

«O Prémio Camões não é para consagrar uma pessoa, é para quem já é consagrado. É um super-prémio, uma pós-graduação”, destacou.

 Fonte: Lusa

03/05/2009

 

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