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Abertura: 2001
Responsável: Daniel Perdigão
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Centro de Língua Portuguesa - Instituto Camões
Universitatea din Bucuresti
Str. Edgar Quinet, 5-7
70106 Bucuresti
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4121-312 1313
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4121-312 1313
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Bucareste

 


 

O Centro de Língua Portuguesa - Instituto Camões em Bucareste

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Universidade de Bucareste

No dia 9 de Abril de 2001 foi inaugurado um Centro de Língua Portuguesa na Universidade de Bucareste (UB). Trata-se do 13º CLP do Instituto Camões, depois de recentemente terem sido inaugurados Centros em Barcelona e Newcastle.

A abertura do CLP-IC de Bucareste reveste-se de especial importância quer pelos laços culturais latinos que unem as línguas romena e portuguesa, quer pelo assinalável desenvolvimento do ensino da língua portuguesa naquele país.

O Presidente do Instituto Camões, Jorge Couto, e o Reitor da UB, Ioan Mihailescu, presidiram à inauguração marcada para as 12H30 locais.

clpbucareste01.jpg Aspecto da biblioteca

O responsável do 13º Centro de Língua Portuguesa será António Ferro que até aqui exercia as funções de leitor do IC na UB.

No âmbito desta visita o Presidente do IC manteve reuniões de trabalho com responsáveis, professores e alunos das Universidades de Bucareste e de Constanta.

Jorge Couto visitou igualmente os Liceus Eugen Lovinescu e George Calinescu em Bucareste e Constanta, respectivamente, onde são ministrados Cursos de Português, mantendo reuniões com os respectivos directores e encontros com alunos de Português.

pdf Actividades programadas pelo Centro para 2007

 

Universidade de Bucareste
Centro de Língua Portuguesa - Instituto Camões

ENCONTROS LUSO-ROMENOS:
CAMÕES, EMINESCU, BLAGA E ELIADE

EDIÇÃO DO CLP-IC
9 de Abril de 2001

CAMÕES, LUSIADA, cîntul III, str. 12
traducere de Aurel Covaci

Între batrînul Istro si strîmtoarea
Ce-i dete Hele numele-i prin moarte,
Sînt traci vînjosi, fratini cu nenfricarea,
În patria iubita a lui Marte.
Rodope, Hemus, stau sub ascultarea
Urgiei otomane-n asta parte,
Ce si Bizantu-l are-n stapînire...
Vai, Constantin, cumplita pîngarire.

MIHAI EMINESCU

DINTRE SUTE DE CATARGE

Dintre sute de catarge
Care lasa malurile,
Cîte oare le vor sparge
Vînturile, valurile?

Dintre pasari calatoare,
Ce strabat pamînturile,
Cîte-o sa le-nece oare
Valurile, Vînturile?

De-i goni fie norocul
Fie idealurile,
Te urmeaza în tot locul
Vînturile, valurile!

Nenteles ramîne gîndul
Ce-ti strabate cînturile,
Zboara vesnic, îngînîndu-l
Valurile, vînturile!

Lucian Blaga, ALEAN
lui Bazil Munteanu

De ceasuri, de zile veghez
pe-un galben liman portughez.

Cu zalele-alaturea drept,
cu mîinile cruce pe piept.

Doinind as privi sapte ani
spre cerul cu miei luzitani,

de nu m-ar gasi unde sînt
nelinistea morii de vînt.

De nu as pieri, supt de-un astru
vazut-nevazut, în albastru.

MIRCEA ELIADE, JURNAL, vol. I (1941-1969)

Lisabona 1941. Îmi place sa stau, în dupa-amiezile acestei primaveri tîrzii, în Praça do Comércio, pe balustrada Tagelui. Sunt atîtia pescarusi neodihniti care îsi încearca norocul in apele tulburi, galbene, uleioase, ale fluviului-si urmarindu-le zborul scurt, zvîcnit, între un tipat si un salt înapoi, ma trezesc tîrziu, fara gînduri, linistit, departat de mine însumi, întrebîndu-ma cînd s-a transfigurat lumea din jurul meu si a ajuns atît de frumoasa.

Nicaieri, în nici o tara, n-am ascultat o chemare mai melancolica, mai sfîsietoare ca a tocilarului din Lisabona. Mesterul acesta obisnuieste sa?si vesteasca trecerea pe strazi suflînd într-un nai scurt citeva sunete de o tulburatoare tristete, lungi, sovaitoare si sugrumate brusc într-o chemare ascutita, ca un cîntec ranit. Tocilarul îsi fluiera deznadejdea mai ales in dupa-amiezile calde, cînd soarele adoarme marii arbori, si o boare sticloasa se prelinge pe caldarîmuri. Parca ar fi ultimul om viu petrecîndu-si jalea într-un oras parasit.

Si iarasi îl aud catre apusul soarelui, cînd vazduhul îsi recapata tranparenta si încep sa fumege arborii bine mirositori. Este fara indoiala cea mai desavîrsita expresie a lui saudade.

CAMÕES, LUSIADA, cîntul VII, str. 12,13
traducere de Aurel Covaci

Acele noi si crude nascociri:
De moarte-aducatoarele?artilerii,
Din bizantine si turcesti zidiri
S-aleaga numai pulberi si puzderii!
Spre Scitia turcestile ostiri
Si catre Muntii Caspici sa le sperii,
Caci prea mult se praseste asta gloata
In Europa culta si bogata!

Armenii, tracii, georgienii, grecii
Se plîng neîncetat ca otomanul
Le ia tribut de prunci ca, pe toti vecii,
Sa-i faca a urma - pagîni - Coranul!
Pe turci, norod crestin prin sabii treci-i!
Bravura voastra spulbere dusmanul
Si nu rîvniti la laurii nemernici
De-a fi peste ai vostri preaputernici!

Universidade de Bucareste
Centro de Língua Portuguesa - Instituto Camões

ENCONTROS LUSO-ROMENOS:
CAMÕES, EMINESCU, BLAGA E ELIADE

EDIÇÃO DO CLP-IC
9 de Abril de 2001

CAMÕES, OS LUSÍADAS, canto III, estr. 12

Entre o remoto Istro e o claro Estreito
Aonde Hele Deixou, co nome, a vida,
Estão os Traces de robusto peito,
Do fero Marte pátria tão querida,
Onde, co Hemo, o Ródope sujeito
Ao Otomano está, que sometida
Bizâncio tem a seu serviço indino.
Boa injúria do grande Constantino!

MIHAI EMINESCU

DENTRE CENTENAS DE MASTROS
tradução de Victor Buescu e Carlos Queiroz

Dentre centenas de mastros
que vão dos portos nevoentos,
quantos não serão tragados
pelas vagas, pelos ventos?

Dentre os pássaros que migram
e atravessam tantas plagas,
quantos não serão tolhidos
pelos ventos, pelas vagas?

Podes desprezar a sorte,
largar ideais que tragas,
mas te seguem, sul a norte,
tanto os ventos quanto as vagas.

Desatina a mente, errando,
por teus cantos e lamentos:
em voo eterno a enganando
tanto as vagas quanto os ventos.

Lucian Blaga, SAUDADE
a Bazil Munteanu
tradução de Micaela Ghitescu

Há horas, há dias que ando a velar
numa falésia amarela de Portugal.

Com a armadura perto de mim, direito,
com minhas mãos cruzadas no peito.

Cantando plangente olharia sete anos
para o céu com cordeiros lusitanos,

se o desassossego do moinho de vento
não me encontrasse aqui com o meu assento.

Se, sorvido por um astro, eu não perecesse
visto-não visto, no azul celeste.

MIRCEA ELIADE, DIÁRIO, vol. I (1941-1969)
tradução de Laura Chivu

Lisboa 1941. Gosto de ficar, nas tardes deste fim de Primavera, na Praça do Comércio, na varanda do Tejo. Há tantas gaivotas incansáveis que tentam a sua sorte nas águas turvas, amarelas, oleosas do rio - e seguindo com o olhar o seu voo repentino, impetuoso, entre um grito e um salto para trás, acabo por me libertar de pensamentos, tranquilo, alheio a mim mesmo, a perguntar-me quando foi que o mundo em volta se transfigurou e se tornou tão bonito.

Em parte alguma, em país algum, ouvi um apelo mais melancólico, mais dilacerante que o do amolador de tesouras de Lisboa. Este trabalhador costuma anunciar a sua passagem pelas ruas soltando duma gaita de beiços, curta, alguns sons duma tristeza perturbadora, longos, hesitantes e bruscamente estrangulados num chamamento agudo como uma canção ferida. O amolador de tesouras sopra o seu desespero sobretudo nas tardes quentes, quando o sol faz adormecer as grandes árvores e uma brisa vítrea escorre pelas calçadas. Parece que é o último homem vivo passeando a sua tristeza numa cidade abandonada.

E volto a ouvi-lo ao pôr do sol, quando o ar retoma a sua transparência e as árvores perfumadas começam fumegar. Esta é, sem dúvida, a mais perfeita expressão da saudade.

CAMÕES, OS LUSÍADAS, canto VII, estr. 12,13

Aquelas invenções feras e novas
De instrumentos mortais da artilhria
Já devem de fazer as duras provas
Nos muros de Bizâncio e de Turquia.
Fazei que torne lá às silvestres covas
Dos Cáspios montes e da Cítia fria
A turca geração, que multiplica
Na polícia da vossa Europa rica

Gregos, Traces, Arménios, Georgianos
Bradando-vos estão que o povo bruto
Lhe obriga os caros filhos aos profanos
Preceptos do Alcorão (duro tributo!).
Em castigar os feitos inumanos
Vos gloriai de peito forte e astuto,
E não queirais louvores arrogantes
De serdes contra os vossos mui possantes.

 

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