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Abertura: 2001
Responsável: Luísa Pinto Teixeira
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Centro de Língua Portuguesa - Instituto Camões
St.Jonh´s College
St Giles, OXFORD OX1 3JP
England
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44 1865 274709/44 1865 274707
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Oxford

 


 

O Centro de Língua Portuguesa - Instituto Camões em Oxford

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Aspecto parcial das instalações

O Centro de Língua Portuguesa - Instituto Camões (CLP-IC) na Universidade de Oxford foi inaugurado no dia 17 de Outubro de 2001, pelo Presidente do Instituto Camões, Jorge Couto, e pelo Vice-Chancellor da Universidade de Oxford, Colin Lucas.

A cerimónia de inauguração, decorreu nas instalações do CLP-IC, em Littlegate House, contou igualmente com a presença do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Jaime Gama.

O CLP-IC cumprirá objectivos de divulgação da Língua e Cultura Portuguesa, estando especificamente vocacionado para a promoção dos estudos na área da História de Portugal naquela Universidade e no Reino Unido.

Pólo de atracção para muitos estudantes "estrangeiros" logo desde finais do século XII, a Universidade de Oxford continua actualmente a congregar no seio da sua comunidade um vasto e variado leque de estudantes e professores de todo o Mundo, que se reúnem nesta cidade para se dedicarem ao estudo de um não menos significativo e diversificado conjunto de temas e áreas científicas.

No que se refere aos Estudos Portugueses, Oxford constitui uma Universidade de referência no Reino Unido, possuindo um departamento totalmente dedicado ao estudo de temas nesta área. A sub-Faculdade de Estudos Portugueses, dependente da Faculdade de Línguas e Literaturas Medievais e Modernas, oferece uma licenciatura e programas de pós-graduação em Língua e Literaturas Portuguesas e Lusófonas. Assistida por diversos professores, entre os quais o actual titular da Cátedra D. João II, Professor Thomas Earle, aí se tem desenvolvido o ensino e a investigação em tópicos relacionados com a Literatura e Cultura Portuguesas dos séculos XIII a XX, a Literatura e Cultura Brasileiras e as Literaturas Africanas em Língua Portuguesa.

O Protocolo de Cooperação agora assinado entre o Instituto Camões e da Universidade de Oxford visa intensificar a cooperação entre as duas instituições no sentido de permitir que o novo CLP-IC possa servir, quer como pólo catalisador e dinamizador daqueles que no Reino Unido se dedicam actualmente ao estudo da História de Portugal, quer como promotor do renascimento de uma antiga tradição de estudo de temas portugueses, que encontrava, ainda não há muito tempo nessa mesma Universidade, na obra de Sir Peter Russell, agora jubilado apesar de ainda activo, um dos mais significativos expoentes do trabalho de um investigador britânico em História de Portugal.

Pretende-se que o Centro possa vir a promover hábitos de trabalho e colaboração entre os investigadores portugueses e britânicos num espaço de diálogo e dinamização onde as dificuldades sentidas por todos os que se dedicam ao estudo da História de Portugal possam ser ouvidas e resolvidas e onde se possa facilitar a investigação de todos aqueles que se dedicam a essas temáticas.

Para o início deste ano lectivo está já programada uma primeira actividade: um ciclo de conferências subordinado ao tema História de Portugal e do Brasil. Este ciclo deverá estender-se ao longo das oito semanas do primeiro período lectivo ( Michaelmas Term), e terá lugar todas as quintas-feiras ao meio-dia, nas instalações do Centro, em Littlegate House.

Prevê-se ainda a realização de um pequeno seminário sobre a História da Língua Portuguesa e suas virtualidades políticas e culturais, que deverá surgir na sequência da inauguração da exposição Tempo da Língua - Imagens da História da Língua Portuguesa, coordenada pelo Professor Ivo Castro e editada pelo Instituto Camões no âmbito do Ano Internacional das Línguas, e que foi inaugurada a 26 de Setembro, Dia Europeu das Línguas.

 

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PORTUGUESE AND BRAZILIAN HISTORY

A series of lectures to be given on Thursdays at 12 in the Centre for Portuguese Language - Instituto Camões. The Centre is in Littlegate House, St Ebbe's.

11 October Prof. Branco: ´Nation Building and National Identity (1100-1300)`.Part 1

18 October Prof. Branco: ´Nation Building and National Identity (1100-1300)`.Part 2

25 October Prof. Earle: 'The Portuguese Discoveries'

1 November Dr Pazos Alonso: 'Nation Building and National Identity in Nineteenth- and Twentieth-Century Portugal'

8 November Prof. Bethell: 'Brazil: Portuguese Colony, Independent Empire and First Republic'

15 November Prof. Bethell: 'Brazil Since 1930'

22 November Dr Carey: 'Portugal's East Timor Débâcle Reconsidered, 1974-2001'

29 November Dr Goldey: 'Portugal Since 1974'

 

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O ensino do português nas universidades britânicas

Pode-se dizer que estamos a atravessar actualmente um período feliz na história do ensino do português em universidades inglesas, escocesas e do País de Gales, já que existem á volta de vinte destas instituições onde se ministram disciplinas relacionadas com o estudo da língua e da cultura luso­-brasileiras. Uma característica muito marcada das universidades britânicas é a diversidade dos cursos que oferecem, sendo portanto difícil calcular com todo o rigor o número de licenciados em português que saem cada ano do sector. Porém, podemos estimar em cerca de 200 o número de pessoas formadas anualmente em português por universidades britânicas, o que implica que estudaram o português ao longo de um curso superior com duração de quatro anos, normalmente em combinação com uma outra língua ou com uma outra disciplina, tal como a história, a filosofia, a economia, a gestão, etc. Regra geral, o português constituirá pelo menos a metade dos estudos feitos pelos 200 alunos referidos. Existem, porém, muitos outros alunos, que seguem o português como cadeira de opção durante um ou mais anos. Além disso, nos últimos anos muitas instituições britânicas de ensino superior, que antigamente eram conhecidas como politécnicas ou colégios de ensino superior (Further Education Colleges), obtiveram o estatuto de universidade. É razoável supor que destas novas universidades sairão no futuro mais alunos com formação luso-brasileira.

As razões do surto do português em universidades britânicas são muito simples e são essencialmente duas. Em primeiro lugar, o apoio do Instituto Camões, e em segundo lugar, a 'asa protectora' do espanhol, na frase muito feliz da Profa. Solange Parvaux. O Instituto Camões investe todos os anos uma quantia considerável no ensino superior britânico. Assegura a manutenção de 17 leitorados em universidades espalhadas por todo o Reino Unido, oferece bolsas de estudo aos alunos e aos professores de português, dá apoio financeiro a bibliotecas, e torna possível a viagem de especialistas vindos de Portugal para dar conferências e participar em congressos organizados em Inglaterra. Nisto continua e desenvolve a política já estabelecida pelas entidades governamentais que o procederam, nomeadamente o Instituto de Cultura e Língua Portuguesa e o Instituto de Alta Cultura. Na verdade, a política cultural dos sucessivos governos portugueses sempre foi, e continua a ser, de uma generosidade quase sem paralelo na Europa.

A reacção normal das universidades britânicas face à oferta por parte do Instituto Camões dum leitorado tem sido a criação de um ou mais postos de trabalho na área dos estudos luso-brasileiros. Como consequência, portanto, nas universidades onde existe um leitor ou uma leitora existe de modo geral também um professor de português pago pela universidade local. Em muitos centros universitários, tal como o King's College de Londres, Oxford, Southampton, Leeds e outros o corpo docente na área do português é mais vasto, havendo vários professores, ou a tempo inteiro, ou divididos entre o português e uma disciplina afim, tal como o espanhol, a teoria literária ou a linguística. Mas, mesmo tomando em conta o investimento efectuado pelas universidades britânicas, o apoio do Instituto Camões continua a ser essencial.

É importante também não esquecer o papel do espanhol no ensino do português. Se recuarmos no tempo para a época em que se inauguraram os primeiros departamentos de português, tanto em Inglaterra como em França, verificamos que foi muitas vezes graças ao entusiasmo de um professor do espanhol que o processo começou. Em França foi o Prof. Georges le Gentil que, nos anos imediatamente a seguir à primeira guerra mundial, promoveu o estabelecimento de estudos portugueses na Universidade de Paris. E em Oxford, alguns anos mais tarde, o Prof William Entwistle, catedrático de espanhol mas grande investigador na área dos estudos medievais portugueses (deve-se-lhe uma edição importante da Crónica de D. João I, de Fernão Lopes), tomou a iniciativa de abrir uma cadeira de português, com o apoio do governo português de então.

Se voltarmos para a nossa própria época, é inegável que a grande maioria de professores estrangeiros do português (isto é, os professores que não têm o português como língua materna) ficou captiva da riqueza da língua e de cultura lusas depois de ter estudado o espanhol. As relações muito próximas entre as duas culturas ibéricas são também importantes no domínio político. Muitas vezes os departamentos de espanhol em que os estudos portugueses estão integrados têm dado uma protecção valiosa nos momentos duros a que a vida universitária está sujeita. No caso da Inglaterra, houve um período muito difícil quando o governo conservador de senhora Thatcher decidiu "racionalizar", na terminologia da época, as universidades, fechando departamentos pequenos que eram considerados inviáveis. Graças ao papel importante desempenhado pelos estudos hispânicos no nosso sistema universitário, não se perdeu nenhum posto de português durante esses anos conturbados.

Contudo, é forçoso admitir que a vida á sombra de nuestros hermanos nem sempre é fácil. O departamento de estudos luso-brasileiras do King's College, de Londres, tornou-se o maior de Inglaterra, pelo menos em termos de número de docentes, em parte por nunca ter sido integrado no departamento de espanhol dessa universidade, e em 1990 o departamento de Oxford também conseguiu escapar à tutela da língua vizinha, tendo crescido muito depois daquele momento. Os dois departamentos referidos são actualmente os únicos independentes.

Em Inglaterra os estudos portugueses tem já quase 70 anos de vida oficial. Sem dúvida nenhuma, o novo milénio nos trará desafios de vária ordem, dos quais o maior é a penetração cada vez maior da língua inglesa à escala global. Há pouco tempo um jornal londrino publicou um relatório segundo o qual por volta do ano 2010 90% da população da terra terá alguns conhecimentos do Inglês. É um prognóstico desolador que terá o triste efeito de fazer supor aos ingleses que o estudo de línguas estrangeiras não traz vantagens práticas. Já presentemente o número de alunos que estudam duas ou mais línguas estrangeiras a nível do ensino secundário está a declinar, facto que tem consequências sérias para o português. O nosso aluno universitário típico costumava optar pelo português depois de se ter entusiasmado pelo mundo ibérico na escola secundária, onde teria aprendido o espanhol além do francês. Ao entrar na universidade tal aluno queria logicamente progredir para os estudos luso-brasileiros, que normalmente se ensinam ab initio. Mas hoje em dia alunos com formação deste género estão em vias de desaparecer. Há muitas escolas secundárias em Inglaterra em que só se estuda uma língua estrangeira, que é quase sempre o francês, resultando daí que o nosso aluno típico chega á universidade sem a preparação linguística e cultural que as gerações anteriores tiveram. Dada esta situação, é possível também que comece a haver concorrência entre as duas línguas ibéricas, que antes se ensinavam juntas.

Há um outro problema a enfrentar, que não é próprio só de Inglaterra. Já sabemos como o português tem prosperado a nível universitário, graças ao apoio sobretudo do Instituto Camões. Mas é uma triste verdade que a nível secundário a língua e a cultura lusas quase não existem entre a população escolar inglesa, apesar de haver excepções, professores entusiastas que ensinam o português mesmo fora do programa oficial das suas respectivas instituições. Felizmente, ainda é possível fazer os exames do secundário em português. Mas, na esmagadora maioria dos casos, os alunos que se candidatam ao G.C.S. E. e ao A-Level são filhos de emigrantes, para quem o consulado de Portugal em Londres mantém uma rede de professores. É essencial atrair os jovens ingleses também para o estudo do português mas, pelas razões acima apontadas, não é fácil conseguir este propósito.

Mas é importante não sermos pessimistas. Portugal e o Brasil são países que continuam a ter um grande fascínio para muita gente. E apesar dos mitos muitas vezes propagados pelos próprios portugueses, a língua de Camões não é das mais difíceis para falantes do inglês, cujo vocabulérlo, especialmente ao nível da abstracção, está repleto de palavras de origem latina e francesa, tal como o português. Além disso, o estudo obrigatório do francês nas nossas escolas tem a vantagem de acostumar os alunos a noções de gramática que também são aplicáveis ao caso português. E até a pronúncia portuguesa, tantas vezes considerada imprópria para uma boca britânica, em certos respeitos não é tão distinta da inglesa como se imagina, se considerarmos por exemplo o tratamento dado nas duas línguas ás vogais átonas.

Em conclusão, a melhor garantia do êxito dos estudos portugueses a nível universitário na Grã-­Bretanha é a existência de um corpo docente entusiasta, dedicado e bem preparado. Se nos próximos meses se concretizar, como assim o desejamos, a proposta da formação de uma associação britânica de lusitanistas, sob a égide da Associação Internacional de Lusitanistas, haverá mais uma razão para enfrentar com confiança o futuro dos estudos portugueses no Reino Unido.

Tom Earle
Universidade de Oxford

 

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The Centre for Portuguese Studies at Oxford

Tom Earle

On 17 October the Vice-Chancellor and the President of the Instituto Camões opened a Centre for Portuguese Studies in Littlegate House, St Ebbe's. One of the primary aims of the Centre will be to develop the study o f the history of Portugal in Oxford and accordingly through­out the term a series of lectures on the history of Portugal and of Brazil will be given in the Centre, on Thursdays at 12 noon.

PORTUGAL and England are two old countries that have known each other for a very long time. The Portuguese are our oldest allies, we all know that, but many common interests and easy communications by sea mean that the re­lationship goes back much further than the Treaty of Windsor of 1386, to prehistory. Oxford's contribution to the illumination of the story has been brilliant, but unfor­tunately fitful. Peter Russell's pioneering study of Anglo-­Portuguese diplomatic relations during the Hundred Years' War (The English Intervention in Spain and Por­tugal in the Time of Edward III and Richard II, OUP, 1955) is separated by nearly fifty years from his major bi­ography of the only Portuguese historical figure all the English can be guaranteed to have heard of (Prince Henry ‘the Navigator': A Life, Yale, 2000). Between these two important books came Alistair Saunders's remarkable and, in Portugal, much quoted D.Phil. thesis on black slavery in the sixteenth century (A Social History of Black Slaves and Freedmen in Portugal, 1441-1555, CUP, 1982). The rise and fall of the first European empire in the East attracted the anxious attention of later imperialists, particularly in the nineteenth century, but the holdings of the Bodleian and of college libraries indicate that there were at least some individuals in earlier periods who read about what the Portuguese had achieved. First editions of the great chroniclers of the expansion, Barros, Gois, Couto exist in Oxford, though there are more copies of Jeronimo Osorio's Latin history, which is less interesting as history but had the advantage of being in a language scholars could easily understand.

If Oxford has never developed a school of historians of Portugal that may well be partly because of anxiety about having to learn a new, even if not notably difficult foreign language. The new Centre, which exists in part for the teaching of the Portuguese language, should remove that anxiety. Its official title is Centro de Lingua Portuguesa/Instituto Camoes and it will be open to all mem­bers of the University who wish to learn Portuguese, whether by self instruction or by taking classes. But it is primarily a centre for the study of Portuguese history. The first director, the distinguished medieval historian Dr Maria Joao Branco, is already in post. Future directors, whose term of office will be for two years, will also be historians, but not necessarily medievalists.

Dr Branco gave the first two lectures in the series an­nounced above, on nation building and national identity in the early medieval period. It is a topic which has probably never been treated in detail in Oxford before. Yet Portugal is as much a European nation as Britain or France, and the struggles of the Portuguese to build an autonomous com­munity have much to teach us. Much to teach the non-spe­cialist too, for Portugal is a fascinating example of the capacity for endurance of the nation state. Its frontier with Spain assumed approximately its modern shape in the late thirteenth century and is easily the oldest in Europe. Subse­quent lectures will deal with other aspects of Portuguese and of Brazilian history, taking the story down to the revo­lution of 1974 and decolonization in East Timor.

The Centre has come about through the great generos­ity of the Instituto Camões, which is an agency of the Portuguese government. Quick-footedness in the Hu­manities Division also helped. The Instituto, and other official bodies which have preceded it, has supported the study of the Portuguese language and the literature asso­ciated with it in Oxford since the 1930s. The University has played its part by the creation of a number of posts, all in the Modern Languages Faculty. Now has come the move to add the history of Portugal to the subjects taught and studied here, at a particularly opportune moment in the life of the new, divisional University. Under the Hu­manities Division, the Centre brings together Modern Linguists and Modern Historians in a way hard to con­ceive only a few years ago, in the bad old days of rigid sep­aration between faculties. The Centre should help to dissolve those artificial barriers, just as the study of history should help to dissolve more serious barriers to mutual understanding.

 

Contributors to this issue

Peter A. Robbins is a Fellow of Queen's and Professor of Physiology • Fergus Millar is Camden Professor of Ancient History • Tom Earle is a Fellow of St Peter's and King John II Professor of Portuguese Studies • Chris Sladen is a volunteer archivist at Ruskin • Susan Millott once did a D.Phil. and has not lost the habit • Keith Gore is an Emeritus Fellow of Worcester.

[«Oxford Magazine» Second Week, Michaelmas Term, 2001]

 

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