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11 de Julho de 2001 ·
Suplemento do JL, Nº 803, Ano XXI |
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Ópera de Sousa Carvalho apresentada em Londres
A ópera cómica em três actos "L’amore industrioso" do português João de Sousa Carvalho foi muito aplaudida em Londres e elogiada pela crítica. O espectáculo realizado em St. John's pela Apollo Chamber
Orchestra, dirigida pelo maestro David Chernaik, contou com o apoio de várias entidades nomeadamente dos Serviços Culturais da embaixada de Portugal na capital britânica e pelo Instituto Camões.
A ópera do compositor português, apresentada pela primeira em 1769, é um excelente exemplo da opera buffa italiana utilizada por Amadeus Mozart em
"Cosí fan tutte" e "Fígaro". Esta ópera foi descoberta por David Chernaik na Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda tendo sido apresentada pela primeira vez ao final de duzentos anos no âmbito do Porto - Capital Europeia da Cultura 2001 e na Opera Holland
Park, nos Países Baixos.
João de Sousa Carvalho é natural de Estremoz onde nasceu em 1745, vindo a falecer em Lisboa em 1799 ou 1800. A sua produção musical distribui-se por três grandes grupos: música dramática, sacra e profana não dramática. Sousa Carvalho foi protagonista no triunfo da música italiana em Portugal. O compositor foi a figura mais relevante da música portuguesa da segunda metade do séc. XVIII, destacando-se sobretudo no campo da ópera e da música religiosa. Iniciou os seus estudos musicais no Colégio dos Santos Reis Magos, em Vila Viçosa, prosseguindo-os depois em Lisboa, no Seminário da Patriarcal. Em 1761, ingressou no Conservatório de Santo Onofre a Capuana, em Nápoles, a expensas de D. José I. Em 1778, sucedeu ao napolitano David Perez como professor de música dos infantes e como compositor oficial da corte.
No domínio sacro, chegaram até nós 17 obras em manuscritos autógrafos, das quais fazem parte sete missas, três "Te Deum", três salmos, um motete e a oratória "Isaco figura del Redentore".
A produção dramática de Sousa Carvalho inclui cinco óperas e dez serenatas, um género semi-operático de dimensões reduzidas que se executava em versão de concerto. A sua primeira ópera, "Lá Nitteti", sobre libreto de Metastasio, foi representada em Roma, no Teatro delle Dame, no Carnaval de 1766, enquanto as restantes - "L'amore industrioso" (1769), "L'Eumene" (1773), "Testoride Argonauta" (1780) e "Nettuno ed Egle (1785) - foram estreadas em Lisboa nos teatros da corte.
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