Palacete Seixas
A construção do Palacete Seixas, propriedade de Carmen Graziella Castilha de Rocha, foi iniciada em 1900 e surge no contexto da reestruturação urbanística da cidade de Lisboa, da responsabilidade técnica de Frederico Ressano Garcia (1847-1911).
O projeto, de que se desconhece o autor, teve como primeiro responsável Alberto Pedro da Silva e, posteriormente, Guilherme Francisco Baracho. A qualidade gráfica do desenho, bem como a influência romântica da escola francesa de finais do século XIX, são algumas das características mais marcantes desta obra, como se pode ver, a título de exemplo, na fachada da Praça Marquês de Pombal a varanda sacada em cantaria lavrada, fechada por uma estrutura de ferro decorado e vidro.
O palacete foi vendido, em 1908, ao industrial Carlos Seixas – homem de cultura e mecenas de muitos artistas como Sousa Pinto, Carlos Reis, Columbano, Falcão Trigoso, Silva Porto, José Malhoa, entre muitos outros – que promove, nos primeiros anos, algumas alterações: uma garagem com entrada pela Rua Rodrigues Sampaio, n.º113, um galinheiro e uma estufa.
Em 1934, após a falência de Carlos Seixas, o palacete é vendido a Isaac Jaime Rouffé, que habita o edifício com a família, o que deu origem a algumas alterações no seu interior.
Quatro anos depois, o imóvel é novamente vendido, pela quantia de mil e cem contos, a Albano de Sousa, presidente da direção da Federação Nacional das Indústrias de Moagem (F.N.I.M.). Para adaptação do palacete aos novos usos da entidade proprietária, foram efetuadas profundas alterações no seu interior, executadas sob a responsabilidade do Eng.º Virgílio Preto.
Em setembro de 1948, um violento incêndio destrói parcialmente o 2.º andar, o sótão e a cobertura. Entretanto, no terreno adjacente, conhecido como A Horta, que fazia parte integrante do lote do palacete, foi edificado o imóvel de “Diário de Notícias”, um projeto do arquiteto Porfírio Pardal Monteiro, atualmente classificado como Imóvel de Interesse Público.
Em março de 1949, têm início as obras de recuperação e reconstrução do 2.º andar, sótão, cobertura e claraboia, pelos arquitetos António Pereira Montez e Victor Manuel de Carvalho Piloto. Na mesma altura, a F.N.I.M. entregou aos mesmos arquitetos a construção de um edifício que lhe permitisse melhor instalação de serviços, com fachada para a Rua Rodrigues Sampaio, n.º 113.
Entretanto é criada a Empresa Pública Agro-alimentação e Cereais S.A. - E.P.A.C. - que adquire os bens da extinta F.N.I.M. e, na qualidade de proprietária do palacete, coloca-o à venda, incluindo todo o conjunto edificado.
A 19 de dezembro de 1989, por despacho da Senhora Secretária de Estado da Cultura, Dr.ª Maria Teresa Pinto Basto Gouveia, o imóvel é incluído no conjunto dito de valor nacional da zona da Avenida da Liberdade.
A 1 de outubro de 1996, por portaria do Ministério da Cultura, este imóvel é integrado no perímetro da zona especial de proteção conjunta dos imóveis classificados da Avenida da Liberdade e área envolvente, em Lisboa.
Por resolução da Presidência do Conselho de Ministros, o Instituto Camões obtém a autorização para adquirir um imóvel sito em Lisboa, na Avenida da Liberdade, 268 e 270, e na Praça Marquês de Pombal, 18, destinado a ampliar e reunificar os serviços da sua rede. A recuperação e readaptação do conjunto edificado ficou a cargo dos arquitetos Alfredo Castro Nunes e António Maria Braga, com a colaboração e acompanhamento da Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.









