Quinta, 22 Janeiro 2009 19:13
Declarando assumir «empiricamente» o «valor cultural e económico do Português», a Presidente do IC esboçou na sua intervenção as políticas que norteiam a actividade do IC e enumerou as principais acções por ele desenvolvidas no estrangeiro para enfrentar «as novas conjunturas políticas, económicas e sociais» que, em seu entender, «alteraram significativamente a importância da Língua Portuguesa no mundo e reforçaram o seu estatuto de língua internacional».
«O Português, língua intercontinental de há séculos, tem agora, mais do que nunca, a possibilidade de estabelecer e consolidar pontes, diálogos a vários níveis, os que proporcionam o desenvolvimento económico e os que trazem a paz», afirmou a Presidente do IC.
Essa foi aliás uma perspectiva que o professor José Paulo Esperança confirmou ao apresentar na cerimónia algumas conclusões do estudo que o IC encomendou ao Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa (ISCTE) sobre O Valor Económico do Português.
Para responder às novas conjunturas, o IC, para além de reafirmar que «a Língua Portuguesa tem o direito de ser usada nos diálogos internacionais» e de actuar em conformidade no âmbito da União Europeia, desenvolve, segundo Simonetta Luz Afonso, «programas de formação, em Língua Portuguesa, dos quadros de Organizações Internacionais, coordenados por Leitores e sustentados por Centros de Língua Portuguesa».
É o que acontece, enumerou, nomeadamente na União Africana, na Comunidade Económica para o Desenvolvimento da África Ocidental e na Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral.
No continente americano, o IC desenvolve negociações com vista à constituição de uma «rede ibero-americana para a expansão de cursos de intercompreensão português/espanhol, nomeadamente através da Internet», o primeiro dos quais irá ser inaugurado em Fevereiro. No quadro do Mercosul, tem apostado na formação de Professores de Português Língua Estrangeira.
Para sustentar a promoção do valor cultural e económico do Português, o IC está também a formar na LP, de há dois anos para cá, funcionários do Banco Africano para o Desenvolvimento, mantém protocolos com várias academias diplomáticas e com os parlamentos sul-africano, timorense e da Guiné-Bissau, formando em Português.
Outra aposta, «da Rússia à Turquia, da China à República Checa», é nos cursos de LP em correlação com as áreas da Ciência e da Tecnologia (Economia, Ciência Política, Jornalismo, Direito, Engenharias e Medicina).
Reconhecendo que o actual estatuto da LP se deve «ao facto de ela ser pertença da CPLP», a Presidente do IC destacou a intervenção da instituição em três programas de Formação Contínua de Professores de Português: em Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.
No âmbito da CPLP, respondendo ao reconhecimento que as políticas de ensino/aprendizagem passam pela formação especializada dos professores para o ensino do Português como língua segunda, o IC tem concertado «esforços no sentido de serem criados projectos comuns» nessa área, nomeadamente, através da «criação de uma rede de professores certificados dos Estados-Membros da CPLP e a difusão dos sistemas de certificação do Português como Língua Estrangeira».
Nesse domínio ainda, o IC aguarda para breve a publicação de um diploma legislativo que crie um Diploma de Especialização em Ensino do Português Língua Estrangeira (DEEPLE), que certifica competências para ensinar o Português como Língua Estrangeira.
Neste processo, a Presidente do IC falou da «transição fundamental para sistemas de aprendizagem orientados para o utilizador» e do papel que aí têm as Tecnologias de Informação (TIC), sublinhando o papel do Centro Virtual Camões e da renovada Biblioteca Digital Camões, relativamente à qual foram assinados na cerimónia os protocolos com 9 instituições que a patrocinam.
A BDC, com os seus 1.200 títulos para consulta gratuita, teve já, entre os dias 8 e 20 de Janeiro, 17.272 visitas, ou seja, 24% dos visitantes do Centro Virtual Camões (CVC), revelou a Presidente do IC, que falou num ‘boom' de acessos.
Simonetta Luz Afonso dirigiu um apelo aos editores livreiros no sentido de disponibilizarem conteúdos e das vantagens que isso pode trazer depois às próprias empresas editoras.
O CVC, por seu lado, segundo adiantou, «disponibilizará 4 novos Cursos à Distância, o que perfará a oferta de 18 Cursos à distância». Destes novos cursos, 2 decorrerão do Protocolo de Cooperação que foi assinado na cerimónia com a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, representada pelo seu presidente, Artur Santos Silva. Os outros dois, em cooperação científica com a Universidade de Lisboa, são o Curso de Intercompreensão de Português, Espanhol e Francês e o de Interpretação de Conferências.
No que toca às estratégias de promoção cultural desenvolvidas pelo IC e pela rede diplomática e consular, pelos Centros Culturais e pela Rede de Docência/Centros de Língua Portuguesa, elas assentam na continuidade, na proximidade e na contemporaneidade, no dizer de Simonetta Luz Afonso.
Com as duas primeiras, de que disse ser exemplo a Mostra Portuguesa de Madrid, que hoje em dia já se estende a toda a Espanha, disputa-se «um lugar fixo nas agendas de eventos artísticos dos países de acolhimento», ao mesmo tempo que se luta por «espaços públicos de prestígio».
«Ao apostar na política de contemporaneidade não está o IC a dar menos importância à sua cultura histórica», garantiu a sua Presidente, explicando que «a epopeia dos descobrimentos analisada e interpretada sob perspectivas científicas, económicas e artísticas face aos meios e realidades técnicas e históricas actuais tem merecido uma critica favorável e elogiosa, reescrevendo-se a história e ultrapassando-se clichés».
Contudo, considerou que «a grande etapa é, sem dúvida, a comparência regular da Arte Portuguesa, seja cénica, plástica ou outra, em grandes eventos internacionais».
O IC, adiantou, apoia trimestralmente a participação de projectos e de criadores nacionais em bienais, festivais e outros certames, tendo em 2008 aprovado ¼ das propostas apresentadas a concurso, com destaque a dança, as artes visuais, o cinema, o teatro e a música.
Na cerimónia que assinalou os 80 anos da génese do IC, com a criação a 16 de Janeiro de 1929 da Junta de Educação Nacional, interveio também a professora Fernanda Rollo, do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, que coordena o projecto de investigação da História do IC.



Apresentação das conclusões do relatório preliminar do Estudo sobre o valor económico da Língua Portuguesa


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