Segunda, 28 Julho 2008 18:31
O escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro foi distinguido a 26 de Julho com o Prémio Camões 2008, o mais importante galardão atribuído a autores de língua portuguesa, criado em 1988 pelos governos de Portugal e Brasil.
Ubaldo Ribeiro, 67 anos, é o 8º oitavo escritor brasileiro a ser distinguido com este Prémio e sucede ao português António Lobo Antunes, premiado em 2007.
Numa primeira reacção ao Prémio, Ubaldo Ribeiro declarou, segundo a Agência brasileira Estado: «Para ser sincero, eu não acho nada demais. Eu acho que eu ganhei porque eu mereço. Olha eu poderia dizer agora toda uma hemorragia verbal, dizendo o quanto estou surpreendido por ter ganho, mas não vou fazer isso. Mas eu ganhei porque eu mereci».
O júri, que decidiu centrar-se este ano em autores brasileiros, destacou na sua decisão, tomada por «maioria significativa» e anunciada em Lisboa, o «alto nível da obra literária» do baiano João Ubaldo Ribeiro, «especialmente densa das culturas portuguesa, africanas e dos habitantes originais do Brasil».
«Não foi fácil a decisão. Todos os candidatos discutidos eram à altura do prémio", admitiu o presidente do júri, o brasileiro Ruy Espinheira Filho, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal da Bahia.
O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), José Jorge Letria, aplaudiu a atribuição do Prémio Camões a João Ubaldo Ribeiro, mas estranhou a decisão de centrar a avaliação em escritores brasileiros e pediu que o júri justificasse essa opção restritiva.
Do júri faziam parte, além do seu presidente, Maria de Fátima Marinho, catedrática da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Maria Lúcia Lepecki, catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Marco Lucchesi, escritor e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, João Melo, poeta e jornalista angolano, e Corsino Fortes, diplomata e presidente da Associação de Escritores Cabo-verdianos.
Entre as obras de João Ubaldo Ribeiro destacam-se Setembro não faz sentido (1968), Sargento Getúlio (1971), que teve o Prémio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, em 1972, Viva o povo brasileiro (1984), O Sorriso do Lagarto (1989) e A Casa dos Budas Ditosos (1999).
Esta última suscitou polémica em Portugal, quando da sua edição, pelo facto de algumas superfícies comerciais se terem inicialmente recusado a vender o romance, por o considerarem muito ousado, dado o seu conteúdo erótico.
Contudo, segundo a sua editora em Portugal, a D. Quixote, os livros de Ubaldo Ribeiro têm «um grande sucesso» no país, sendo um dos autores brasileiros mais lidos e vendidos.
O escritor brasileiro viveu em Lisboa em 1981, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, e ao longo da sua carreira recebeu vários prémios e teve algumas obras adaptadas para cinema (Sargento Getúlio, filme distinguido com vários prémios no Festival de Gramado) e televisão (O Sorriso Do Lagarto - mini-série para a Rede Globo).
Iniciou a sua vida profissional como jornalista no Jornal da Bahia, em 1957, e no ano seguinte editou revistas e jornais culturais, tendo dado os primeiros passos na literatura com a participação na antologia Panorama do Conto Bahiano, organizada por Nelson de Araújo e Vasconcelos Maia, com Lugar e Circunstância.
O escritor foi também responsável pela adaptação cinematográfica do romance de Jorge Amado Tieta do Agreste, com a actriz brasileira Sónia Braga no papel principal.
Miguel Torga inaugurou em 1989 - o primeiro ano da atribuição do prémio - a lista dos vencedores.
Desde então, foram distinguidos nove autores portugueses, oito brasileiros, um moçambicano e dois angolanos. Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau não viram ainda nenhum dos seus escritores premiados.
O montante do galardão ainda não está totalmente definido, mas segundo o ministro da Cultura português, José António Pinto Ribeiro, que anunciou a decisão do júri, deverá ser semelhante ao do Prémio de 2007, no valor de 100 mil euros
Fonte: Lusa





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