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O Pritzker de Souto Moura visto pela imprensa internacional

c_250_0_16777215_0___images_photos_noticias_souto_moura11.jpg“Não há arquitectura ecológica, inteligente ou sustentável, há apenas boa arquitectura”. A frase é de Eduardo Souto Moura, foi proferida no distante ano de 2004 e foi ontem à noite destacada pelo Inhabitat na apresentação do Prémio Pritzker 2011.

Explica o site de tendências sustentáveis que os edifícios desenhados pelo arquitecto português são reconhecidos pela utilização de materiais naturais, destacando, como não poderia deixar de ser, o Estádio Municipal de Braga.

“[Na arquitectura] há sempre problemas que não podemos ignorar, como a energia, os recursos, o custo, os aspectos social – temos sempre de prestar atenção a eles”, explicou Souto Moura, ainda em 2004.

Para o Inhabitat, o Prémio Pritzker 2011 é o novo Mies van der Rohe, capaz de “utilizar uma pedra com mil anos ou inspirar-se nos detalhes modernos”.

“Embora ele próprio não defina o seu trabalho como “verde”, Souto Moura tem cuidado em prestar atenção aos elementos dos edifícios sustentáveis”, explica o Inhabitat.

O Los Angeles Times destaca o facto de, pelo terceiro ano consecutivo, o júri do Prémio Pritzker ter escolhido um arquitecto cujo trabalho é “espaçado, até mesmo reservado”, e desenvolvido “num contexto regional específico”.

“O suíço Peter Zumthor, que venceu em 2009, e o duo japonês Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, os últimos laureados, partilham com Souto Moura a abordagem precisa e reticente, a milhas das construções exuberantes e de alcance global de arquitectos mais conhecidos, como Jean Nouvel (que venceu em 2008), Zaha Hadid (2004) ou Frank Gehry (1989)”, completa o LA Times.

A Reuters, por seu lado, destaca a declaração de Lord Peter Palumbo, presidente do júri do prémio, que revelou que “nas últimas três décadas Eduardo Souto Moura produziu trabalhos que são dos nossos tempos mas também carregam ecos de tradições arquitectónicas”.

O site Third Age diz que a arquitectura de Souto de Moura combina “o minimalismo abstracto do modernista Mies van der Rohe com os materiais e técnicas de construção locais”, enquanto vários outros jornais e blogs norte-americanos insistem em chamar “obscuro” ao trabalho do arquitecto português, destacando, ainda assim, os anos com que colaborou com Siza Vieira, ele próprio Prémio Pritzker em 1992.

“Souto Moura é conhecido por incorporar a história local, o contexto e a paisagem nos seus trabalhos”, revela o NPR, realçando a “habilidade única” do arquitecto em “juntar características à partida conflituosas – o poder e a modéstia, a intrepidez e a subtileza, o arrojo e o sentido de intimidade – ao mesmo tempo”.

O El País coloca em destaque as afirmações do próprio Souto Moura, em entrevista ao diário espanhol, em 2007. “Um edifício em cujo interior as pessoas morrem de calor, por mais elegante que seja, é um fracasso. Não se pode aplaudir um edifício apenas porque é sustentável. Seria como aplaudi-lo porque se aguenta”.

Finalmente, o The New York Times cita Karen Stein, consultora de design e que faz parte do júri do prémio, que afirma que “podemos dizer que [Souto Moura] é um arquitecto de arquitectos”. “A sua arquitectura requer uma atenção especial. [Ele desenha] aquilo a que podemos chamar uma arquitectura lenta. Temos mesmo que tirar algum tempo para olhar para todas as partes e peças”.

O NYT entrevistou ainda Kenneth Frampton, professor de história da arquitectura na Universidade de Columbia, que revelou ter comentado com o próprio Souto Moura sobre a sua utilização de alvenaria. Na altura, o arquitecto português afirmou ter utilizado “a última geração de artesãos que sabem como fazer paredes” daquela forma.

De acordo com Frampton, o trabalho de Souto de Moura é mais terreno, de uma certa forma. “[Os seus edifícios] têm uma presença forte enquanto trabalho, mas não foram pensados a partir de imagens iniciais. O seu carácter chega-nos da forma como foram desenvolvidos enquanto estruturas”.

A entrega do Prémio Pritzker 2011 foi amplamente divulgada em toda a imprensa internacional

Eduardo Souto Moura vai receber o Prémio Pritzker no próximo dia 2 de junho, no auditório Andrew W. Mellon, em Washington.

 

 

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