Camões  
  Revista de Letras e Culturas Lusófonas  
 
 
  Número 4      ·       Janeiro-Março de 1999  
 
 
 
Editorial

Presidente do ICNão podia o Instituto Camões, neste ano em que se comemora o bicentenário do nascimento de Almeida Garrett, deixar de assinalar a efeméride, dedicando ao grande escritor o seu primeiro número monográfico de 1999. Considerada a vocação deste Instituto, cujas linhas de orientação vão no sentido da promoção das Letras e das Culturas Lusófonas, é um Almeida Garrett polifacetado que aqui tentámos dar a conhecer a um público que, dentro e fora das nossas fronteiras, é uma referência no que diz respeito ao interesse pelo que a Lusofonia representa no mundo cultural no seu sentido mais lato.

João Baptista da Silva Leitão, nascido a 4 de Fevereiro de 1799, era filho do açoriano Bernardo da Silva, honrado e austero selador-mor da Alfândega do Porto, e de D. Ana Augusta de Almeida Leitão. O nome de Almeida Garrett tem origem na avó paterna, a madrilena D. Antónia Margarida Guarret, filha legítima do Capitão D. Fernando Guarret, casada, na cidade da Horta, em 1736, com José Ferreira da Silva, um lisboeta estabelecido na ilha do Faial.

Também a família materna tinha uma história de sucessos, do humilde bisavô, sapateiro em Vila do Conde que ascende a mamposteiro-mor da Casa da Misericórdia da mesma vila, até ao avô, o sargento-mor José Bento Leitão, enriquecido no Brasil e que o Marquês de Pombal tinha nomeado Deputado da poderosa Companhia dos Vinhos do Alto Douro e Cavaleiro da Ordem de Cristo. Mas para entender o homem de cultura que era o, a partir de 25 de junho de 1854, Visconde de Almeida Garrett, a matriz familiar não estaria completa sem uma merecida alusão a seu tio paterno, primogénito nascido do referido casamento: Dom Frei Alexandre da Sagrada Família, Bispo de Malaca e de Angra, Bispo eleito do Congo e de Angola, Governador deste Bispado, Tio e professor de Garrett conforme reza o título do estudo de António Ferreira de Serpa [in Anais das Bibliotecas e Arquivos, série II, vol.VII, Lisboa, 1926, p. 10].

Porque Almeida Garrett não foi apenas um homem de Letras e atribuidamente o introdutor do Romantismo em Portugal. Político, diplomata e jornalista, foi o espelho do ecletismo e da erudição, em Portugal como difusor da cultura clássica, europeia e americana, e na Europa e no Continente Americano como português.

 

Jorge Couto

 

 

 

 
 

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