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Garrett e o Dandismo
Álvaro Manuel Machado

«...seu porte gentil e decidido de homem de guerra
desenhava-se perfeitamente sob o espesso e largo sobretudo militar - espécie de
great-coat
inglês -, que a imitação das modas britânicas tinha tornado familiar nos nossos
bivaques». (Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra). |
Ao analisar o papel do dandismo em Almeida Garrett, Álvaro Manuel Machado começa por
definir o conceito no contexto da formação do Romantismo na Europa. Dandy é uma
palavra inglesa, associada a uma moda social e literária exportada depois para outros
países europeus.
No caso de Garrett a noção de dandismo, não se limita a este âmbito mais restrito,
mas implica também uma atitude cultural, que relaciona o dandismo com o imaginário
romântico, e ainda com outro elemento fundamental na formação do escritor: o exílio.
Para além das extravagâncias do vestuário que Garrett adoptou e que seriam seguidas
pelos homens da melhor sociedade lisboeta, o dandismo torna-se constitutivo do próprio
fenómeno da criação literária, no sentido da adopção de uma "duplicidade
ironicamente romântica" que será uma das característica mais marcantes da sua
escrita.
O dandismo garretteano influenciou outros escritores portugueses de finais do século
XIX, como António Nobre. Mas foi Raul Brandão que o definiu de maneira lapidar: "
(...) não olho as futilidades de Garrett com o riso banal de toda a gente. Através
desses pequenos ridículos, pressinto, nem sei bem porquê, um desespero enorme. (...)
sob a máscara do janota estava decerto um homem que sofria ao sentir-se imensamente
ridículo."
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