Camões  
  Revista de Letras e Culturas Lusófonas  
 
 
  Número 4      ·       Janeiro-Março de 1999  
 
 
 
Garrett e o Dandismo

Álvaro Manuel Machado

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«...seu porte gentil e decidido de homem de guerra desenhava-se perfeitamente sob o espesso e largo sobretudo militar - espécie de great-coat inglês -, que a imitação das modas britânicas tinha tornado familiar nos nossos bivaques». (Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra).

Ao analisar o papel do dandismo em Almeida Garrett, Álvaro Manuel Machado começa por definir o conceito no contexto da formação do Romantismo na Europa. Dandy é uma palavra inglesa, associada a uma moda social e literária exportada depois para outros países europeus.

No caso de Garrett a noção de dandismo, não se limita a este âmbito mais restrito, mas implica também uma atitude cultural, que relaciona o dandismo com o imaginário romântico, e ainda com outro elemento fundamental na formação do escritor: o exílio.

Para além das extravagâncias do vestuário que Garrett adoptou e que seriam seguidas pelos homens da melhor sociedade lisboeta, o dandismo torna-se constitutivo do próprio fenómeno da criação literária, no sentido da adopção de uma "duplicidade ironicamente romântica" que será uma das característica mais marcantes da sua escrita.

O dandismo garretteano influenciou outros escritores portugueses de finais do século XIX, como António Nobre. Mas foi Raul Brandão que o definiu de maneira lapidar: " (...) não olho as futilidades de Garrett com o riso banal de toda a gente. Através desses pequenos ridículos, pressinto, nem sei bem porquê, um desespero enorme. (...) sob a máscara do janota estava decerto um homem que sofria ao sentir-se imensamente ridículo."

 

 

 

 

 
 

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