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Almeida Garrett
um quase retrato
António de Almeida Santos

Passos Manuel, Almeida Garrett, Alexandre herculano e José
Estevão de Magalhães por Columbano Bordalo Pinheiro (pormenor).
Óleo sobre tela concluído em 1926.
Passos Perdidos, Assembleia da República.
Fotografia de Laura Castro Caldas e Paulo Cintra |
Após uma resenha das variadíssimas facetas da personalidade de Garrett, Almeida
Santos concentra o seu artigo na análise dos discursos parlamentares do grande escritor,
sublinhando o seu brilhantismo, expresso no dom da palavra na elocução justa e directa,
e no apuro da linguagem que distinguem o Garrett parlamentar.
Antes de ser eleito deputado, Garrett distinguiu-se desde logo pela redacção de um
conjunto de notáveis textos legislativos, sobre matérias tão diversas como a reforma do
ensino público, ou o direito de autor. Sobre esta última questão desenvolveu, aliás
uma famosa polémica com Alexandre Herculano, que tinha uma posição idealista, recusando
a considerar a propriedade literária como qualquer outra. A esta posição contrapunha
Garrett, que os escritores e os artistas tinham que almoçar todos os dias como toda a
gente.
Garrett foi eleito deputado inúmeras vezes, tendo porém recusado vários cargos
governamentais, preferindo dedicar-se à tarefa mais importante de legislador e
reformados. a sua atenção incidiu também, para além dos aspectos já mencionados, no
teatro. Elaborou os projectos de criação de um Teatro Nacional, do Conservatório de
Arte Dramática, e da Inspecção-Geral dos Teatros e Espectáculos Nacionais. O seu amor
pelo teatro levou-o a ser um dos professores fundadores do Conservatório, tendo escrito
inclusivè, peças de teatro para serem representadas pelos alunos. Mas, como observa
Almeida Santos, "por entre as árduas lutas e as importantes tarefas de que foi
incumbido, encontrou sempre ânimo, para dar continuidade à exploração do filão
inesgotável da sua criatividade artística."
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