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Gabriel García
Marquez e o Realismo Mágico Latino-Americano
João
de Melo

Mais lido e estimado do que todos os escritores
latino-americanos do seu escol e da sua geração, Gabriel García
Marquez, hoje tão
universal como os maiores mestres do romance moderno, está entre os nomes gloriosos de
toda a literatura e é uma das maiores figuras literárias do século. |
A literatura latino-americana conheceu um processo de expansão e reconhecimento
internacional que é um dos fenómenos mais interessantes da segunda metade do século
XX.
Gabriel Garcia Marquez encontra-se no centro deste verdadeiro "boom", que
constituiu afinal uma nova vanguarda literária, exterior ao eixo parisiense tradicional.
Teve porém, como todos os autores latino-americanos da sua geração, de passar pela
aprovação da crítica europeia, nomeadamente a francesa, apesar da enorme popularidade
que adquirira entre os leitores.
O segredo do que foi denominado "realismo fantástico", ou também
"realismo mágico" reside, segundo João de Melo, na descoberta de uma prática
ficcional "simples e simultaneamente deslumbrada, recorrendo aos grandes temas
sociais, sem dúvida, mas envolvendo as realidades descritas numa auréola de sonhos,
crenças e rituais lendários que bem podem estar na origem de uma nova mitologia
literária."
A atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Gabriel García Marquez em 1982,
representou não apenas a sua consagração internacional como também a de toda a
literatura americana em língua castelhana, tendo estado na origem do reacender da
polémica entre os defensores de Marquez e os incondicionáveis de Borges. Esta
discussão, nos termos em que foi colocada, não tem para João de Melo qualquer sentido,
opinião que justifica sublinhando três "evidências" acerca da escrita
de Gabriel García Marquez : em primeiro lugar, este é talvez o oposto perfeito de
Borges, "com a superior vantagem de a sua obra, apesar de muito menos eclética do
que a do argentino, assumir em pleno e em risco, a ideologia do século". Por
outro lado, a originalidade do colombiano dificilmente se adapta às convenções e
conceitos da tradição literária bem-pensante.
Finalmente João de Melo destaca o carácter universal da obra de Gabriel García
Marquez, que o coloca entre os maiores criadores do século XX, ao lado de
Kafka, Camus,
Hemingway e o próprio Borges.
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