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As Raízes da Resistência
Padre João Felgueiras

Fotografia de Eduardo Gageiro |
Depois de evocar o sândalo como primeiro embaixador da Índia, os tempos da circum-navegação de Fernão de Magalhães em que os cartógrafos já teriam recohido o nome da ilha e a referência que lhe é feita n’ Os Lusíadas, o Padre João Felgueiras destaca o facto de, em 1975 haver milhares de chineses no território, a que se chamava vulgarmente «China Macau», que falavam, além da sua língua, o Tétum e o Português, apenas o português prevaleceu.
Por outro lado, os missionários eram quem precisava de mais vocabulário, pelo menos de um vocabulário mais rico do que o necessário para as relações comerciais. O cristianismo criou «laços firmes de solidariedade mundial cristã», e o sentimento de pertença gerado pela administração portuguesa, os dois vectores expressando-se em português e "vivendo em comum". Foi uma luta em várias frentes, não só uma luta armada.
A saga dos livros existentes na Biblioteca do Seminário de
Dare, transportados cuidadosamente de um lado para o outro é um episódio simbólico do que os timorenses fizeram pelo livro em português. Começaram a vulgarizar-se as fotocópias, para compensar a devastação dos livros queimados ou estragados. Outro milagre tem a ver com o ensino de língua portuguesa, segundo o autor »(...) uma actividade que brota mais da alma e da vontade do povo do que de qualquer outra iniciativa». Por isso conclui, dizendo que «Em Timor esta língua é perfumada como o sândalo».
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