Camões  
  Revista de Letras e Culturas Lusófonas  
 
 
  Número 14      ·       Julho-Setembro de 2001  
 
 
 
O Timor de Ruy Cinatti

Peter Stilwell

O poeta e silvicultor Ruy Cinatti chegou, pela primeira vez, a Timor no mês de Julho de 1946. Tinha acabado de ser nomeado secretário do governador Óscar Ruas, quatro anos após a violenta invasão japonesa. Os tempos eram de reconstrução e nos primeiros tempos ficou confinado a serviços de secretaria. Até que o governador, nos últimos meses de 1947 o autoriza a percorrer livremente Timor, orientado por autóctones, a fim de elaborar um levantamento fito-geográfico que integraria a sua tese de licenciatura.

De 1948 a 1951, Cinatti encontra-se em Lisboa. A sua tese é aprovada com 19 valores e ele regressa a Timor, esta vez como chefe dos Serviços de Agricultura. Entretanto, aprofunda-se nele o afecto pelos timorenses. Cada vez mais se convence que um desenvolvimento agrícola sustentável de Timor será possível só numa articulação íntima com a cultura local e o respeito pela conservação das florestas.

Em 1956, de regresso a Lisboa, Cinatti publica um manifesto "Em favor do Timorense" e dois anos mais tarde entrega às autoridades um "Plano de Fomento Agrário para Timor". Entretanto fixa-se em Oxford, onde prepara um tese de doutoramento. Em 1961 regressa a Timor para recolher elemento para a tese e anota, chocado, a delapidação em curso do património cultural do território. Datam dessa visita 6.000 metros de filme. A última vigem decorreu em 1966.

Em Janeiro de 1975 dirigiu uma longa carta ao Diário de Notícias, prevenindo o país do perigo que Timor corria, mas a carta nunca foi publicada e a invasão indonésia foi para ele um rude golpe.

 

 

 
 

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