|
|
O Teatro Português
e o 25 de Abril
uma História ainda por contar
Eugénia Vasques
A Revolução de 25 de Abril de 1974 representa o início de uma nova era no
Teatro português, depauperado por 40 anos de obscurantismo e Censura. Nos anos imediatos
à revolução foi um teatro à procura de um diálogo com o seu tempo. O realismo social
estava na ordem do dia, ligado à tomada de posições políticas; mas paralelamente era
também um espectáculo à procura de um público, e de um modelo de criação.
A proliferação de grupos de teatro independente característica destes anos, permite
ao teatro português consolidar a sua posição no meio artístico, através de uma grande
diversidade de estéticas e de públicos. «Estas novas entidades congregavam,
maioritariamente, jovens profissionais, alunos oriundos do novo Conservatório, actores do
teatro universitário ou jovens saídos de cursos ministrados por convidados estrangeiros
que então visitaram Portugal. A estas estruturas(...) se ficaria a dever, em grande
parte, a abertura de novos percursos no teatro, a afirmação de diversificados
repertórios ou a procura de conceitos diferenciados (...) de direcção e encenação.»
A partir de meados dos anos 80, começam-se a esboçar noções como a de marketing
cultural, gestão teatral, e «artes performativas». Assiste-se à redefinição do
panorama teatral, caracterizada pela institucionalização da segunda geração de
independentes, e ao aparecimento de uma novíssima geração de rebeldes, que embora muito
diferentes entre si, têm em comum um teatro assente na palavra, na encenação, e na
imagem e carisma do actor.
A partir da década de 90 o teatro português vê alargar o seu espectro de criadores.
Surgem novas estéticas, muito ligadas à multiplicação dos Festivais de Teatro, e aos
contactos com companhias estrangeiras convidadas.
|
|