Arranque das comemorações dos 500 anos das relações entre Portugal e a Etiópia

Publicado em terça, 02 dezembro 2014 12:23

A Embaixada de Portugal em Adis Abeba, em colaboração com os ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Cultura e Turismo da Etiópia, inauguram a 8 de dezembro de 2014, às 18:00, um amplo e diversificado programa comemorativo do 5º centenário das relações entre Portugal e a Etiópia, com um espetáculo no Teatro Nacional, em Adis Abeba.

O evento conta com a participação da jovem pianista portuguesa Vera Estevez, do consagrado pianista e compositor etíope Girma Yifrashewa, e do grupo teatral da Escola de Artes do Teatro da Universidade de Adis Abeba. Tem o apoio de Camões, I.P., Delegação da EU para a Etiópia, Universidade de Adis Abeba, e de companhias privadas etíopes com destaque para o grupo BGI e Castel Winery.

Há 500 anos, em março de 1514, uma embaixada etíope, enviada pela rainha regente Eleni na menoridade do rei Lebna Denguel, liderada pelo mercador de origem arménia Matewos, na companhia do adolescente de linhagem real Yakob, apresentou carta credencial e um fragmento da Vera Cruz, em Lisboa, ao rei D. Manuel I.

O acontecimento de elevado significado político e simbólico ecoou pela Europa através de cartas remetidas para as cortes europeias e papal, relatando a chegada do embaixador do mítico Reino do Preste João, identificado com o Reino da Etiópia.

Este episódio diplomático testemunha a visão política dos governantes etíopes, refletindo a estratégia de inserção da Etiópia numa lógica global. Na época, Portugal era uma força expansionista, que procurava controlar as rotas do Oceano Índico e do Mar Vermelho desafiando o equilíbrio regional de poderes, e a Etiópia manifestou claramente a sua posição face a este novo interveniente na região ao explicitar a vontade de estabelecer uma aliança com Portugal, definida em termos políticos, militares e de cooperação tecnológica.

Uma embaixada portuguesa foi, então, despachada com um presente preciosíssimo. Vicissitudes diversas e o falecimento do embaixador Duarte Galvão atrasaram esta legação. Finalmente, em abril de 1520, a embaixada chefiada por D. Rodrigo de Lima entrou em terras da Etiópia pelo porto, hoje eritreu, de Massawa. Acompanhavam-no, entre outros, o organista Manuel dos Mares e o pintor Lázaro de Andrade, numa antecipação do que hoje se chama cooperação cultural.

Quinhentos anos mais tarde, em 2014, Etiópia e Portugal inauguram um vasto programa abrangendo as áreas das artes, cultura, património, educação, ensino superior e investigação, tecnologia, desporto e turismo, baseado num entendimento comum sobre o desenvolvimento social e humano sustentado e enquadrado pelo Acordo de Cooperação nos Domínios da Educação, Ciência, Ensino Superior, Cultura, Juventude, Desporto, Turismo e Comunicação Social (Decreto n.º 1/2009 de 27 de janeiro).

 

 

 

 

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Camões, I.P.
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