Festival Iberian Suite: Durante três semanas, o elétrico 28 para em Washington

Publicado em sexta, 06 março 2015 18:06

Um elétrico de cortiça em tamanho real, da autoria do artista plástico Nuno Vasa, foi a grande atração dos primeiros dias de “Iberian Suite: Arts Remix Across Continents", iniciativa de divulgação da cultura de Portugal e de Espanha que decorre de 3 a 24 de março de 2015 no Kennedy Center, em Washington.

 O Festival congrega cerca de 600 artistas, provenientes da Península Ibérica, África, América Latina e Ásia. De Portugal participam, nomeadamente, Rodrigo Leão, António Zambujo, Carminho, Camané, The Gift, Diogo Infante, Vhils, Gonçalo M. Tavares, Dulce Maria Cardoso, Eduardo Souto de Moura, Álvaro Siza Vieira, Companhia Portuguesa de Bailado e Teatro Meridional.

Ainda antes da abertura oficial, já os visitantes do centro tiravam fotografias junto ao elétrico de cortiça, com o título "Prazeres 28", perguntavam quem era o autor da frase inscrita - “The man is the size of his dream” - uma adaptação para inglês de um verso de Fernando Pessoa, e questionavam que cidade tinha inspirado a obra.

Até os funcionários e alguns patronos do centro, como a filantropa Adrienne Arsht, pediram a Nuno Vasa para entrar no elétrico e tirar uma fotografia no lugar do condutor.

“Isto é ótimo porque o meu trabalho tem tudo a ver com a relação entre o homem e o objeto”, explicou à Agência Lusa Nuno Vasa. “Durante estas semanas, a última paragem do 28 é no Kennedy Center”.

O artista foi desafiado para esta peça pelo Arte Institute, uma organização baseada em Nova Iorque e que colaborou com o centro norte-americano na elaboração do programa do festival.

"Gosto de desafios e este projeto foi sem dúvida um grande desafio”, explicou Vasa, que começou a trabalhar no projeto no verão passado.

O elétrico 28 atravessa Lisboa, entre o Martim Moniz e Campo de Ourique, passando pela Graça, Baixa, Chiado, São Bento, Estrela e Prazeres (Campo de Ourique), destino que dá nome à instalação.

Vasa escolheu trabalhar com cortiça preta e foi isso que o levou até à empresa Sofalca, que cedeu todo o material e funcionários.

“Decidi logo que não queria cor, para ser fiel ao meu trabalho. A peça é toda no mesmo material, na mesma cor, para ganhar força formal e peso”, explica o artista plástico.

Vasa já recebeu o prémio POPs Fundação de Serralves, o prémio Estampa, da Casa de Velásquez em Madrid, e o Prémio D. Fernando II, da Câmara Municipal de Sintra.

Além disso, tem uma marca de design chamada “Outra Coisa”, que reinventa usos para objetos do quotidiano, como um estendal que vira cabide e um piaçaba que é promovido a material de escritório.

O projeto do elétrico enquadra-se, então, nesta linha de trabalho do autor, que logo imaginou um elétrico em tamanho real, com todos os detalhes do original, "mas que tivesse um aspeto quase cénico, que transportasse para um mundo imaginário.”

Começou a desenvolver o trabalho no seu atelier em Lisboa e, no último mês e meio, mudou-se para Abrantes, onde fica a fábrica da Sofalca, e trabalhou com os funcionários da empresa.

“Trabalhei de sol a sol, para terminar tudo em tempo recorde, foi quase como um sonho que era real. Deitava-me à noite e tudo o que continuava a ver era o elétrico”, diz o artista. “No final, acordei e estava em Washington.”

Fonte: Agência Lusa

O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. apoia o Arte Institute, bem como o Festival Iberian Suite.

 

 

 

 

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