Fernando Lopes: uma vida ao serviço do cinema

Publicado em quarta, 02 maio 2012 17:23

Internado há cerca de uma semana na Cruz Vermelha, em Lisboa, com uma pneumonia e muito enfraquecido por um cancro na garganta detetado há um ano, morreu o realizador de cinema Fernando Lopes.

Segundo notícia do PÚBLICO, o “corpo de Fernando Lopes vai estar em câmara ardente amanhã, quinta-feira, no Palácio Galveias, em Lisboa, entre as 18h e as 22h numa cerimónia laica. Na sexta-feira, o realizador vai ser cremado numa cerimónia privada.”

Fernando Lopes nasceu em 1935 e desde jovem adere ao movimento cineclubista (foi sócio do Cineclube Imagem, animado por José Ernesto de Sousa) onde vai germinar o desejo de realizar filmes.

Aos 22 anos, em 1957, entra no quadro técnico da Rádio e Televisão de Portugal, então inaugurada. Em 1959 consegue uma bolsa do Fundo do Cinema Nacional, o que o leva para a London Film School, em Inglaterra, onde obteve um diploma em Realização de Cinema.

Regressado a Portugal, realiza Belarmino (1964), uma média-metragem sobre a vida do pugilista Belarmino Fragoso, considerada obra-chave no movimento do Novo Cinema português, ao lado de “Dom Roberto” (1962) de José Ernesto de Sousa e “Os Verdes Anos”(1963) de Paulo Rocha.

Em 1965 faz um estágio em Hollywood, onde permanece três meses. Quando regressa a Portugal, dirige “Uma Abelha na Chuva” (1971) (baseado no romance homónimo de Carlos de Oliveira, que tem como protagonistas Laura Soveral e João Guedes), que se tornaria, com “Belarmino” e, mais tarde, “O Delfim” (2002) (baseado no livro de José Cardoso Pires, com guião de Vasco Pulido Valente, protagonizado por Rogério Samora e Alexandra Lencastre), nas obras mais significativos da sua filmografia.

A partir de obras literárias realizou ainda “Crónica dos Bons Malandros” (1983), (baseado no romance com o mesmo nome de Mário Zambujal),   “O Fio do Horizonte” (1993), sobre o funcionário de uma morgue que procura obsessivamente a identidade de um cadáver, adaptado da obra com o mesmo nome de António Tabucchi, e em Câmara Lenta” (2012),   com argumento de Rui Cardoso Martins a partir do romance "Em câmara lenta" do escritor e advogado Pedro Reis que tem como protagonistas Rui Morrison, João Reis, Maria João Bastos e Maria João Luís.

Fernando Lopes foi também cofundador e diretor da RTP2, na década de 1980, e lecionou durante vários anos no Curso de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa.

98 Octanas (2006), Os Sorrisos do Destino (2009) e Em Câmara Lenta (2012) são os seus mais recentes filmes.

Entre as várias distinções recebidas destaca-se a condecoração do Governo francês com a Ordem do Mérito Artístico e do Presidente da República Portuguesa (Mário Soares) com a Ordem do Infante D. Henrique pelo seu contributo dado ao cinema

 

Filmografia
Em Câmara Lenta (2012)
Os Sorrisos do Destino (2009)
Ela por Ela (2006)
98 Octanas (2006)
Lá Fora (2004)
Tomai Lá do O'Neill (2004)
O Delfim (2002)
Cinema (2001)
Gérard, Fotógrafo (1998)
Lissabon Wuppertal Lisboa (1998)
O Fio do Horizonte (1993)
Matar Saudades (1988)
Crónica dos Bons Malandros (1984)
Lisboa (1979)
Nós por cá Todos Bem (1978)
Cantigamente (1976)
O Encoberto (1975)
Uma Abelha na Chuva (1972)
A Aventura Calculada (1972)
Nacionalidade: Português (1972)
Era Uma Vez... Amanhã (1972)
Vermelho, Amarelo e Verde (1969)
Hoje, Estreia (1967)
Tejo na Rota do Progresso (1967)
Cruzeiro do Sul (1966)
Se Deus Quiser (1966)
Belarmino (1964)
Rota do Progresso (1964)
As Palavras e os Fios (1962)
O Voo da Amizade (1962)
As Pedras e o Tempo (1961)

 

 

Tópicos neste artigo:
Camões, I.P.
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