Moçambique: ‘Estrangeiros’ expõem na sua própria terra

Publicado em quinta, 06 dezembro 2012 17:55

Maputo é uma capital africana onde a arte contemporânea é declinada regularmente. O movimento ‘Ocupações Temporárias’, «um coletivo de artistas que não é um grupo», como se definiu em 2010, quando surgiu, reedita pela 3ª vez a sua «intervenção», com as exposições de cinco artistas plásticos moçambicanos e um angolano, que «ocupam» até 27 de dezembro diversos pontos da cidade, um dos quais é o Centro Cultural Português/Camões IP.

Estrangeiros’ é o tema das obras expostas, porque, dizem os promotores no seu blogue, «a aldeia que se diz global continua a classificar dicotomicamente os seus habitantes: ‘os de dentro’ e ‘os de fora’», um «estatuto, que parece exclusivamente geográfico», mas que «tem também um eixo temporal, que retira a pátria aos ‘de dentro’, se estes permanecem muito tempo fora», ou seja, faz deles «estrangeiros na [sua] terra natal».

Dos cinco artistas moçambicanos – Eugénia Mussa, João Petit Graça, Rui Tenreiro, Sandra Muendane e Tiago Correia-Paulo –, que «estudaram e viveram ou ainda vivem lá fora», a exposição toma «as linhas de perspetiva, de trajeto e de trabalho». Os cinco moçambicanos que se apresentam este ano utilizam como suporte «a pintura, o vídeo, o som e a instalação de objetos para abordarem um conceito que lhes é familiar, dado que o seu percurso académico e profissional passou pela saída do país», explica uma nota de imprensa. E, «nesta exposição feita ‘em casa’, feita em território ‘familiar’», os artistas plásticos moçambicanos «aprofundam o olhar sobre as dimensões do que pode ser viver-se como ‘outro’, como ‘estranho’, para lá da dimensão geográfica ou fronteiriça que o tema encerra».

Do angolano Paulo Kapela apresenta-se «um discurso transnacional», que «aborda as temáticas da cultura bantu muito para além das fronteiras políticas», «incitando a paz e a união dos povos, pela criação e recriação manifestos que aliam religiosidade, misticismo e a tradição com ícones, realidades e materiais contemporâneos». Kapela é o primeiro convidado não moçambicano a integrar o projeto das ‘Ocupações Temporárias’ e reproduções das suas obras mais recentes poderão ser vistas nas ruas de Maputo.

A presente edição das Ocupações Temporárias tem o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, entidade que segundo os promotores do evento reforça assim «o trabalho que vem realizando tanto na divulgação quanto na circulação dos artistas em mercados internacionais».

Mais informação em http://ocupacoestemporarias.blogspot.pt/

 

 

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Camões, I.P.
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