República Checa: Publicada novela do brasileiro José J. Veiga

Publicado em terça, 12 março 2013 16:34

O Relógio Belisário’, do brasileiro José J. Veiga, acaba de ser publicado no mercado checo, numa edição com chancela da editora Triton, de Praga.

A obra, publicada com o apoio da Embaixada do Brasil, evoca alguns aspetos da vida da sociedade brasileira de meados do século passado, não evitando referências à questão da identidade e do orgulho nacionais sempre enquadrados numa perspetiva mistificadora, tão ao jeito do realismo fantástico pelo qual o autor era reconhecido.

Em declarações ao Centro de Língua Portuguesa/Camões IP de Praga, a professora e lusitanista Marie Havlíková contextualizou a presença literária de José J. Veiga, afirmando que «os leitores checos tiveram a oportunidade de entrar pela primeira vez em contacto com o ficcionista brasileiro por intermédio da novela Os pecados da tribo» (in: Cinco novelas brasileiras, publicadas pela editora praguense Odeon em 1982).

A novela, considerou Marie Havlíková, «pode ser lida, entre outras interpretações, como uma alegoria do destino duma comunidade que vive ameaçada por um regime totalitário.»

Relativamente à obra agora editada, Marie Havlíková refere que «embora de caráter diferente - lúdico, mistificador, todo penetrado por uma leve ironia e humor inteligente, O relógio Belisário (na traduçao checa Kouzelné hodiny), de alcance nacional e ao mesmo tempo internacional como aliás todos os outros contos e novelas do autor, não deixará de desafiar o leitor com perguntas inquietantes, revelando com extrema sensibilidade as verdades provenientes das profundezas da alma humana.»

Nascido em Corumbá de Goiás, em 1915, e falecido em 1999, José Jacintho Pereira Veiga foi jornalista da BBC em Londres, e só aos 45 anos entrou na literatura, com o seu primeiro livro Os cavalinhos de platiplanto (1959), segundo uma biografia inserida no site brasileiro Tiro de Letra.

«A consagração e o reconhecimento do público vieram com A hora dos ruminantes (1966) e Sombras de reis barbudos (1972), duas alegorias que enfocam o tema da repressão político-social, lançadas na época da ditadura».

Considerado um «estilista refinado», um dos grandes contistas brasileiros, além de exímio tradutor do inglês, Veiga não gostava que a sua obra fosse inserida na ‘literatura fantástica’, pelo facto de ela ter surgido antes dessa “moda”, acrescenta a biografia.

A estranha máquina extraviada (1968), De jogos e festas (1980), Aquele mundo de vasabarros (1982), A casca da serpente (1989), Torvelinho dia e noite (1990), O risonho cavalo do príncipe (1992) e Objetos turbulentos (1997) são outros livros do escritor que, em 1998, recebeu o Prémio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da sua obra.

 

 

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Camões, I.P.
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