Lisboa: Exposição “Por entre as fontes”, joalharia israelita contemporânea

A exposição “Through Sources - Por entre as fontes”, uma mostra de peças contemporâneas criadas por 11 artistas israelitas do grupo Inyanim, será inaugurada dia 2 de maio, quinta-feira, pelas 18h, no Palacete Seixas, sede do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Av. da Liberdade, 270 – Lisboa).

“O grupo Inyanim procura influenciar o discurso público em torno do papel do design na sociedade, através do muito particular e sub-representado universo do design de joias”, afirma Deganit Stern-Schocken, professora e uma das joalheiras do coletivo.

Os 11 criadores que compõem o grupo são formados em escolas israelitas de vanguarda na área das artes e do design e encontram-se regularmente para ensaiar a criação de joias. A mostra “Through Sources - Por entre as fontes” é uma janela aberta para esse processo criativo.

Patente na sede do Camões, IP, até 7 de junho, a exposição exibe os trabalhos mais recentes dos joalheiros Vered Babai, Shirly Bar-Amotz, Rory Hooper, Aviv Kinnel, Gregory Larin, Tehila Levi-Hyndman, Michal Oren, Kobi Roth, Dana Seachuga, Deganit Stern-Schocken, e Edda Vardimon-Gudnason.

A propósito da exposição, a joalheira Deganit Stern-Schocken profere a palestra “Made in Israel”, sobre o movimento da joalharia contemporânea em Israel, no dia 6 de maio, pelas 18h, no Palacete Seixas. De 6 a 8 de maio, o departamento de Joalharia do Ar.Co. recebe o workshop “Fences / Cercas”.

 

CURTAS NOTAS SOBRE O TRABALHO DOS ARTISTAS

Dana Seachuga

Na série “Hunting for Vera”, Seachuga lida com a disparidade entre o que queremos ser e o que realmente somos, o que revelamos e que tentamos esconder. A joalharia, mais subtil ou mais explicitamente, sempre desempenhou um papel neste "jogo".

Os materiais e as formas escolhidas, como um sinal de um dos padrões primários do comportamento humano, são semelhantes aos que têm sido utilizados como adorno desde a criação da primeira joia.

Deganit Stern-Schocken

Stern Schocken é uma artista de joias muito produtiva. Os traços urbanos da sua joalharia manifestam a sua formação no que diz respeito à composição das peças que cria, mostrando a sua preocupação com a função enquanto modo de expressão. O corpo funciona, para ela, como um ambiente urbano em que se expõem joias, mantendo uma busca constante por materiais alternativos que possam substituir as pedras. Assim, tem experimentado trabalhar com tecidos impressos, gravuras, pinturas industriais, etc, acabando por regressar sempre às pedras.

Gregory Larin

Corações, num conceito amplo ... anatomia prática, adoração humana de Maya, o coração como um guia para a emoção, o coração do amor e um caminho pessoal através de relações para desaguar num eventual casamento.

A utilização de materiais como o couro, o latão, os polímeros, em conjunto com a cor dramática do sangue, cria uma sensação de magnificência em peças de artesanato.

Michal Oren

Pensar a identidade e o outro. O lugar em que o pessoal e o político se misturam. O objeto é um ponto de encontro para todos.
Pela repetição e pela estampagem no metal, a palavra, que é abstrata, torna-se concreta.

Kobi Roth

"Trabalhando de uma certa forma, atinge-se um certo tipo de significado"

Jasper Johns ("Lasting Impressions: A Johns print retrospective" Vanity Fair, Maio de 1986, P117)
Esta pesquisa, dentro das técnicas tradicionais da joalharia, consiste na utilização de de prata, com um ponto de fusão baixo, para desenhar imagens sobre prata branca fina.

Nesta série, Roth optou por se concentrar no quadro "Os grandes líderes do mundo" a partir de um livro antigo.

Usando os contornos de imagens familiares, tornou-as em imagens de personagens quase irreconhecíveis.

Rory Hooper

Caixotes e caixas.

O oculto, o não revelado, a pergunta e a expectativa é o que vejo enquanto verdadeiro valor de um objeto.

Entre joias e objetos está o lugar que olho e questiono.

Shirly Bar-Amotz

Através dos meus olhos passam os estratos culturais, o contexto político e a realidade de Israel.

O meu processo de trabalho é composto por uma combinação de várias disciplinas e diferentes materiais.

O trabalho artesanal e a combinação de materiais desempenham um papel relevante no processo de desenvolvimento conceptual, tornando-se um elemento importante na construção das narrativas das minhas obras.

Tehila Levi-Hyndman

A série de obras "Dowry" é uma pesquisa pessoal sobre a tradição e a memória cultural. É baseada na história das joias perdidas dos imigrantes que saíram do Iémen para se radicarem em Israel.

As obras envolvem memórias pessoais e familiares de grande sacrifício, enquanto procuram reencontrar o esplendor e o forte significado das joias, e ainda o modo como eram valorizadas.

Edda Vardimon-Gudnason

A raiz dos anéis "Coprolalia" está na paixão pela busca de pedras desenvolvida desde a infância. Os epóxis são o resultado da busca de pedras urbanas: trata-se de um produto sintético feito de resíduos, encontrado num compartimento de uma fábrica local, pulverizado com tinta. Crescem como minerais, camada sobre camada de tinta.

O coprólito traduz o meu amor por lava. De alguma forma faz-me lembrar a lava seca em movimento na minha amada Islândia.

Uma caixa deles na loja de minerais: "Ei, essas rochas parecem merda!" e, de facto, são. Os coprólitos são excrementos fósseis.

Aviv Kinnel

O projeto 'Maré Alta' inspira-se no fenómeno natural das marés. Como se algo secreto ou oculto, de repente, fosse revelado e descoberto.

Vestígios de vida permanecem ocultos nas profundezas,

Memória do movimento preservada no inanimado.

Vered Babai

"Circuitos" - Os circuitos são feitos de galhos e inflorescências de palmeiras encontrados no bairro de Vered. Ao estudar este novo material, reparou nas pequenas diferenças de cada ramo e passou a apreciar a sua qualidade, simplicidade e força. A ideia era construir objetos que enfatizassem tanto a beleza das tonalidades entre um grupo de itens, como o charme da simplicidade de um único ramo.

 

 

Camões, I.P.
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