Investigação sobre Envelhecimento em Portugal dá origem a livro

Em 2050, estima-se que três em cada 10 pessoas tenham 65 ou mais anos. Esta previsão do EUROSTAT reflete uma tendência demográfica atual que é analisada na obra “Processos de Envelhecimento em Portugal – Usos do tempo, redes sociais e condições de vida”, a lançar a 3 de julho de 2013, às 17:30, na sede do Camões, IP.

O livro, que será apresentando pelo jornalista e escritor Mário Zambujal, aborda ao longo de mais de 300 páginas a questão do envelhecimento nas suas múltiplas vertentes, que passam pela esfera individual, social e económica.

Focando-se no caso português, a obra está organizada em cinco capítulos: “Envelhecimento e curso de vida”, “Redes interpessoais, relações de apoio e vizinhança”, “Envelhecimento e Participação Social”, “Ocupações e Atividades de Tempos Livres”, “Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento”.

Na sua origem está uma investigaçãoefetuada pelo Instituto do Envelhecimento da Universidade de Lisboa, com o apoio da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Sob coordenação de Manuel Villaverde Cabral, participaram nesta pesquisa Pedro Moura Ferreira (investigador principal), Pedro Alcântara da Silva, Paula Jerónimo e Tatiana Marques.

Entendido como um dos problemas centrais do século XXI, o tema do Envelhecimento está claramente inscrito na agenda de instâncias internacionais como a ONU, através da OMS (Organização Mundial de Saúde), a Comissão Europeia e a OCDE.

“Todas estas organizações promovem iniciativas que visam alertar as sociedades para os problemas do envelhecimento e definir medidas suscetíveis de dar corpo às políticas públicas vocacionadas para a resolução desses problemas”, lê-se na introdução do novo título.

Nas últimas décadas do século passado registou-se um “aumento ininterrupto do número de idosos”, fenómeno que acabou por transformar as sociedades mais desenvolvidas em sociedades envelhecidas. No que se refere concretamente à sociedade portuguesa, verificou-se a conjugação de três fatores: a queda da fecundidade, o aumento da esperança média de vida e a fortíssima emigração ocorrida nas décadas de 1960 e 1970.

Segundo adianta este estudo, o envelhecimento em Portugal resulta deste conjunto de razões e explica “a importância absoluta e relativa que a população idosa tem hoje” no país.

Contudo, e embora o envelhecimento seja um fenómeno positivo, quer para os indivíduos, quer para as sociedades, não é possível ignorar que, de forma paradoxal, acaba por gerar uma série de consequências complexas e mesmo gravosas para o nosso tipo de sociedade. É também sobre esses cenários que os autores se pronunciam.

Por outro lado, é dado ênfase ao conceito de “envelhecimento ativo”, entendido como uma “reformulação da +condição idosa+”. Na definição avançada pela OCDE, este refere-se à “capacidade de as pessoas que avançam em idade levarem uma vida produtiva na sociedade e na economia”. Aponta para uma desvinculação gradual do mundo do trabalho, tendo por base uma repartição do tempo entre atividades produtivas e não produtivas, segundo as preferências e as necessidades de cada indivíduo.

Em suma, no cerne da problemática do envelhecimento está o “reposicionar o idoso no conjunto do sistema de relações intergeracionais”. Nas sociedades envelhecidas, como a portuguesa, fazê-lo, constitui atualmente “um imperativo democrático e um desafio politico”.

 

 

Camões, I.P.
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