Fórum sobre educação em Bissau

 A necessidade de melhorar a coordenação entre os diversos parceiros nacionais e internacionais que intervêm no sistema educativo foi a principal conclusão do Fórum sobre Educação na Guiné-Bissau, que se realizou em Bissau a 25 e 26 de Fevereiro.

Número 123   ·   12 de Março de 2008   ·   Suplemento do JL n.º 977, ano XXVIII

Fórum sobre educação em BissauO sistema educativo da Guiné-Bissau conta com a intervenção de diferentes entidades nacionais e internacionais (UNICEF, Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e diversas ONG), mas não tem havido suficiente coordenação entre elas, segundo foi reconhecido no Fórum, organizado pela Fundação Evangelização e Culturas e o Instituto Nacional para o Desenvolvimento da Educação daquele país da costa ocidental africana, com o apoio financeiro do Instituto Camões (IC).

«Essa coordenação impõe-se», afirmou o ministro da Educação, Alfredo Gomes, que, em declarações ao suplemento do IC, se mostrou satisfeito com os resultados do Fórum por o governo guineense ter feito «passar a mensagem» quanto à importância dos parceiros actuarem em sintonia com o seu Ministério.

Para responder a essa necessidade, o Governo pretende criar um gabinete de estudos e coordenação dos parceiros, segundo declarou Domingos Gomes, chefe de Departamento de Língua Portuguesa da Escola Normal Superior de Tchico-Té (ENSTT) e co-coordenador do Projecto de Formação Contínua de Professores de Língua Portuguesa, de que é principal parceiro o Instituto Camões.

Esse gabinete possibilitará uma «visão do que é prioritário» bem como «hierarquizar as prioridades», acrescentou Domingos Gomes, considerando a intenção do Governo de criar o gabinete uma «grande promessa», a par da reafirmação da importância das contribuições de todas as entidades envolvidas no processo educativo.

Fórum sobre educação em Bissau
Mansoa
O sistema escolar na Guiné-Bissau é constituído por escolas públicas, comunitárias e privadas, devido às dificuldades das primeiras, segundo declarou à Agência Ecclesia Nuno Macedo, gestor do "Projecto +Escola" da Fundação Evangelização e Culturas, uma ONG para o Desenvolvimento, e presidida por D. Jorge Ortiga, em representação da Conferência Episcopal Portuguesa.

No processo educativo guineense, Portugal intervém através do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (Programa PESAG) e do IC, neste caso apoiando por acção do Centro de Língua Portuguesa de Bissau (CLP/IC) a licenciatura de Língua Portuguesa da ENSTT e o Programa de Formação Contínua de Professores de Língua Portuguesa, iniciado em 2006.

No dizer de Domingos Gomes, a par das dificuldades de financiamento, com «consequências logísticas, didácticas e pedagógicas», o sistema educativo guineense defronta-se com a falta de domínio da Língua Portuguesa dos seus professores.

Mais pólos

O programa de formação contínua de professores de Língua Portuguesa, estabelecido por um protocolo de 2005, foi iniciado em 2006/07, depois de o Banco Mundial ter criado as infra-estruturas logísticas para o funcionamento de 11 centros de formação de professores nas diversas regiões da Guiné-Bissau.

A par do responsável guineense, o programa tem também uma co-coordenadora por parte do IC, a leitora Ana Paula Robles, que dirige igualmente o CLP/IC de Bissau, criado em 2002.

O suporte da formação dos professores, que dura três anos e vai no seu segundo ano, é constituído por 10 formadores guineenses que receberam formação inicial a cargo da professora Ana Maria Martinho, da Universidade Nova de Lisboa, responsável também pela produção de materiais didácticos específicos para este projecto.

Fórum sobre educação em BissauEstes 10 formadores estão no terreno a trabalhar nas chamadas Unidades de Apoio Pedagógico/Pólos de Português, deslocando-se, mensalmente, aos vários sectores da sua região. Ao todo cerca de 1.100 professores guineenses estão envolvidos neste projecto de formação em exercício. Cerca de 51 mil alunos beneficiaram, indirectamente, desta formação. A cada um dos docentes em formação é atribuído um Certificado de Frequência.

Cada formando recebe, anualmente, 10 Módulos Didácticos para a Aprendizagem da Língua Portuguesa. Estes módulos foram igualmente realizados pela equipa orientada pela professora Ana Maria Martinho; em fase experimental, estes módulos baseiam-se nos conteúdos programáticos e didácticos da disciplina de Língua Portuguesa e no levantamento das expectativas de formação dos professores.

Na opinião de Domingos Gomes, o programa de formação contínua de professores «está a corresponder de forma excelente» às expectativas guineenses na formação de docentes.

O ministro Alfredo Gomes, que faz uma «avaliação positiva» do programa, já manifestou o desejo da parte guineense de que ele venha a ser alargado com a criação de mais pólos, para o que será necessário proceder à formação de mais formadores.

A colaboração do CLP/IC de Bissau com o Departamento de Língua Portuguesa da ENSTT, no âmbito da Licenciatura em Língua Portuguesa, já resultou por outro lado na formação de 12 licenciados, grande parte dos quais trabalha, actualmente, na área da formação em Língua Portuguesa.

A licenciatura, de cinco anos, o último dos quais de Prática Pedagógica, é ministrada por 11 docentes efectivos da ENSTT e a leitora/formadora do IC e frequentada por 122 alunos no ano lectivo de 2007/08.

A prazo, pretende-se o reforço da formação dos docentes universitários (mestrados, doutoramentos e tutorias), o aumento do número de salas/professores/alunos, o incremento de programas de intercâmbio científico com instituições estrangeiras e o ingresso de bacharéis da ENSTT na Licenciatura em Língua Portuguesa.

Camões, I.P.
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