Trigo Limpo leva «Chovem Amores na Rua do Matador» a Luanda

O Grupo Trigo Limpo/Teatro ACERT apresenta 13 de Maio a peça Chovem Amores na Rua do Matador em Luanda, no Festival Internacional de Teatro e Artes, que decorre até 30 de Maio. A peça, com base num texto inédito de Mia Couto e de José Eduardo Agualusa, irá ser apresentada pelo Trigo Limpo em Agosto em Moçambique, juntamente com o espectáculo de música, teatro e poesia A Cor da Língua.

Número 125   ·   7 de Maio de 2008   ·   Suplemento do JL n.º 981, ano XXVIII

Trigo LimpoChovem Amores na Rua do Matador constitui a parte II do projecto ‘Interiores\', com que o Trigo Limpo/ACERT pretende «contribuir para o desenvolvimento da dramaturgia em língua portuguesa» e «levar à descoberta de personagens que ajudem a reflectir sobre os distintos sinais da ‘portugalidade\' contemporânea».

O festival de Luanda assinala os 20 anos de actividade do Grupo Elinga-Teatro [do umbundo "elinga" = acção, iniciativa, exercício], disse José Rui Martins, do Trigo Limpo/ACERT.

O Grupo Elinga foi criado a 21 de Maio de 1988 e é dirigido pelo encenador José Mena Abrantes. A sua existência inscreve-se «numa linha de continuidade iniciada em 1975/76 com o grupo Tchiganje e continuada em 1977/80 com o Grupo Xilenga-Teatro e em 1984/87 com o Grupo de Teatro da Faculdade de Medicina de Luanda (GTFML)», segundo o sítio da Cena Lusófona.

A peça levada à cena em Luanda pelo Trigo Limpo, com o apoio do Instituto Camões, foi estreada em Portugal em Dezembro de 2007. O seu texto é o resultado da primeira colaboração entre os dois escritores lusófonos, o moçambicano Mia Couto, e o luso-angolano José Eduardo Agualusa, parceria entre dois amigos que o primeiro diz ter sido «um prazer imenso» e que o segundo afirma não saber se «se pode chamar trabalho».

O convite para a criação da peça a quatro mãos entre os dois escritores partiu do encenador e dramaturgo José Rui Martins, do Trigo Limpo.

Trigo LimpoA ideia de base que serviu ao projecto, a saber, «a história de um homem que regressa à aldeia natal disposto a assassinar as mulheres da sua vida», coube a Mia Couto, revelou Agualusa.

Assim, «não foi difícil concluir que o mais fácil seria ele ocupar-se do homem e eu das mulheres», acrescentou o luso-angolano, que diz serem «femininas» as suas «melhores personagens - as mais convincentes».

Evocando o processo de escrita, Mia Couto conta que os dois escritores foram «sem falar, acertando que a peça falaria de amores e mortes (não são estes os únicos motivos da literatura?). Fomos trocando cenas e entrecruzando personagens e, durante todo esse processo, acabamos contrariando a ideia da escrita como um acto solitário e ensimesmado».

Já em finais de 1992, o Trigo Limpo adaptara alguns contos de Mia Couto e criara com eles o espectáculo À Roda da Noite, estreado no Nordeste do Brasil em 1993.

A companhia portuguesa criada pelo encenador João Brites tem um vasto currículo de actividade na cena teatral lusófona, com destaque para a sua participação no Festival d\'Agosto, em Moçambique, de que são co-organizadores juntamente com a companhia M\'béu, com forte colaboração do Grupo Mutumbela Gogo, de Manuela Soeiro, segundo José Rui Martins.

A parte I do projecto ‘Interiores\', Duas histórias de solidão, duas histórias a sós, foi criada a partir dos textos Do avesso e do direito, de Eduarda Dionísio, e de O mal de Ortov, de Jaime Rocha, em Dezembro de 2006. A parte III, prevista para Dezembro, terá um texto inédito resultante da colaboração de Hélia Correia e Gonçalo M. Tavares.

 

Camões, I.P.
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