«Perfis pessoais» portugueses em Moscovo

Artes performativas

Quatro artistas performativos portugueses - Ivo Serra (Associação Bomba Suicida), Tiago Guedes, Inês Jacques e Sónia Baptista, os três primeiros com o apoio do Instituto Camões - participaram em Julho no Festival Internacional de Teatro Não-Verbal ‘Personal Profile\' de Moscovo, organizado anualmente pela Agência russa de Dança TsEKh e que este ano apresentou os «perfis pessoais» ou dossiers de coreógrafos de Portugal, Suíça e Rússia.

Número 128   ·   30 de Julho de 2008   ·   Suplemento do JL n.º 987, ano XXVIII

Perfis pessoais
«Materiais Diversos» de Tiago Guedes
Segundo os organizadores a pretensão do festival, que teve a sua 3ª edição, é apresentar anualmente «a nova geração de criadores da dança e performers de diferentes países e da Rússia». O festival compreende duas partes. Na primeira têm lugar os espectáculos abertos ao público; na segunda, os participantes no festival debatem entre si.

«O título de Festival de ‘teatro não-verbal\' não foi escolhido por acaso, porque a dança contemporânea, na opinião de uma nova geração de coreógrafos, é muito mais ampla do que apenas ‘deança\'», explica a organização no seu sítio.

A Agência TsEKh surgiu da transformação em 2001, com o apoio da Fundação Ford, da associação artística do mesmo nome, criada por bailarinos e coreógrafos contemporâneos independentes de Moscovo, com o objectivo de criar «ambientes artísticos férteis e uma infra-estrutura eficiente para a dança contemporânea na Rússia», tendo lançado em 2002 a Rede Russa de Teatro de Dança, que engloba palcos nas principais cidades do país. Em 2006, a Agência criou o seu próprio espaço de espectáculos, a Aktovy Zal, situado nas vastas instalações desactivadas de uma antiga fábrica de papel em Moscovo, orientado para as artes performativas contemporâneas.

Desde a sua criação, a Agência TsEKh, que funciona em moldes não comerciais, afirmou-se interna e externamente como uma entidade considerada no campo da dança contemporânea na Rússia, segundo os próprios.

Perfis pessoais
Inês Jacques, Falling Up 1
O objectivo confesso da TsEKh neste festival é trazer ao público e aos profissionais moscovitas trabalhos que «são arriscados e não [estão] de acordo com as normas, o que levanta agudas discussões».

Os organizadores do festival foram fiéis a esse propósito nas suas escolhas dos artistas portugueses que foram a Moscovo, todos eles muito jovens mas já com assinaláveis currículos criativos, que incluem diversas internacionalizações.

Ao festival de Moscovo, Tiago Guedes (n. 1978) levou a sua criação a solo Materiais Diversos, que desempenhou um papel decisivo na carreira deste artista que estudou durante dez anos música no Conservatório Regional de Tomar, antes de fazer a sua licenciatura em Dança na Escola Superior da Dança de Lisboa. O seu trabalho, de que uma fotografia serviu como base para o cartaz do festival, foi apresentado em Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália, Grécia, Eslovénia, Bélgica, Suíça, Brasil, Áustria, Holanda, Reino Unido e Hungria.

Inês Jacques (n. 1978) apresentou o seu espectáculo Falling Up, criado em 2007 a convite do Teatro Camões. O espectáculo «trata da ideia de instante como um pertence do movimento», explica a própria artista no sítio do Zut!, a estrutura por si criada em 2005 «para dar mais consistência» às suas criações.

When I Fall foi a trilogia apresentada por Ivo Serra, desenvolvida em 2005-2006, e em que cada uma das palavras do título simboliza uma das suas partes, uma das quais em vídeo, com a participação de Tânia Carvalho, também ela da Associação Bomba Suicida. A performance analisa a queda psicológica, espiritual e física do ser humano.

«Nesta peça, Ivo Serra continua a desenvolver a relação com o vídeo, o som, a dança e o texto tal como fez nas suas anteriores peças Check-In e Graffiti».

Sónia Baptista, «uma das mais surpreendentes criadoras da nova geração de coreógrafos portugueses», segundo a TsEKh, trouxe Icebox Fly/Winter Kick, uma criação de 2003, em que conta «a história da nossa contemporaneidade, uma rapariga insegura de si própria, fechada numa sala branca, sentindo a falta do seu amado».

Definitivamente, os moscovitas puderam ver uma faceta bem diferente da tradicional dos criadores portugueses.

 

Camões, I.P.
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