O prazer da versão original

Curso em linha de Intercompreensão

O Instituto Camões abre este mês as inscrições na plataforma digital do seu Centro Virtual Camões para o curso de formação a distância de Intercompreensão linguística, uma forma inovadora de aprender línguas, envolvendo neste caso o Português, o Espanhol e o Francês, que terá início em Março próximo.

Número 134   ·   14 de Janeiro de 2009   ·   Suplemento do JL n.º 999, ano XXVIII 

 

Ao todo, serão 21 vagas que estarão disponíveis para um público que se acredita vir a ser constituído por jovens adultos e adultos que «pretendam sobretudo ler nessas línguas (jornalistas, tradutores, agentes culturais, investigadores nas mais diferentes áreas do saber, estudantes do ensino médio-avançado e superior, etc.)», segundo o projecto de intenções elaborado pela equipa que vai ministrar o curso, objecto de um protocolo entre o Instituto Camões (IC) e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL).

«Esta iniciativa do Instituto Camões de fazer um curso [de Intercompreensão] em linha [on-line] é bastante inovadora. Não sei se existe algum equivalente noutro país», afirma a coordenadora da equipa de docentes, a professora universitária Maria Antónia Mota, que apenas tem notícia da existência na Internet de «uns métodos» para este tipo de aprendizagem.

A metodologia seguida pelo curso de Intercompreensão apresenta-se como uma forma alternativa de aprender línguas, em grande medida em resposta à difícil aplicação prática da política de multinguismo da União Europeia.

Desde os anos 60, os métodos tradicionais de aprendizagem de línguas visam a obtenção pelo aluno da chamada «proficiência comunicativa», através do domínio da compreensão e produção oral e escrita. A metodologia da Intercompreensão, explica a Maria Antónia Mota, professora associada da FLUL, numa comunicação que fez à reunião de directores-gerais da cultura da UE, em 10-12 de Outubro de 2007, assume que as necessidades linguísticas da generalidade da população podem ter motivações diferentes dos requisitos profissionais («o prazer intelectual de ler um texto na sua versão original», por exemplo, o que favorece outras línguas que não as vistas como profissionalmente úteis) e níveis de exigência diferentes: apenas compreender o que se lê e ouve, sem necessidade de falar ou escrever.

Mas a Intercompreensão assenta ainda numa terceira assunção: a de que «cada falante tem uma espécie de habilidade linguística específica que lhe permite compreender línguas tipologicamente muito próximas da sua língua materna», escreve a coordenadora do curso. O Português, o Espanhol e o Francês são precisamente línguas tipologicamente próximas (pertencem ao grupo românico). O método permite que, conhecendo uma língua, se possa aprender outra(s) língua(s), comparando-as e vendo semelhanças e diferenças, por recurso às operações cognitivas da «analogia, indução, dedução, generalização e interpretação».

Pretende-se pois que o aluno seja ele próprio a tirar conclusões, refere Maria Antónia Mota. Esta preocupação está reflectida nos 15 módulos que existem para cada uma das três línguas do Curso de Intercompreensão (em cerca de sete semanas). «Sendo uma aprendizagem extremamente pessoalizada, é muito mais segura e é mais facilmente interiorizada», considera a coordenadora. Daí que o papel atribuído aos três tutores, nativos de cada uma das três línguas, seja encarado como «discreto»: «visa sancionar as soluções encontradas pelos formandos ou, pelo contrário, redireccionar as hipóteses postas por estes e trazer complementos de informação», refere o projecto.

O curso pressupõe, de alguma forma, um certo domínio de uma das línguas. E «o facto de a língua materna ser uma delas ajuda imensamente», reconhece Maria Antónia Mota. Todavia, a coordenadora do projecto sublinha o interesse que o curso tem para um não nativo que conheça já uma das três línguas. «Com esse conhecimento [...] pode abalançar-se não só a desenvolver a língua que já conhece, a melhorá-la, mas também a aceder às outras duas».

Dirigido a jovens adultos e adultos, o curso privilegia nos seus materiais de estudo os «textos que tratem de assuntos do conhecimento geral, para pessoas mediamente cultas e interessadas», para que à dificuldade linguística não se somem outras dificuldades. A compreensão escrita é o objectivo, principal, mas a compreensão oral é perfeitamente exequível, uma vez que os textos escritos podem ser ouvidos lidos por um falante nativo da língua.

A organização do curso, a sua progressiva dificuldade e as tarefas que os alunos são chamados a executar, permite aos monitores, cada um dos quais com sete formandos a cargo, e à coordenadora avaliar o desenvolvimento das capacidades dos aprendentes, que em caso de aproveitamento terão direito a 6 ECTS (European Credit Transfer System).

 

Camões, I.P.
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