Murro em Ponta de Faca

Número 141 · 29 de Julho de 2009 ·  Suplemento do JL n.º 1013, ano XXIX


III Encontro de Teatro dos Leitorados

Lusotaque – Colónia

 
 

 

 

O teatro político pode ter perdido, com a morte, em Maio passado, do dramaturgo Augusto Boal, um dos seus mais expressivos cultores em língua portuguesa, mas os seus temas continuam actuais. Pelo menos é isso que julga o grupo Lusotaque, da Universidade de Colónia, que apresenta no Encontro de Teatro dos Leitorados Murro em Ponta de Faca, daquele autor brasileiro, que esteve exilado em Portugal após o 25 de Abril. E é precisamente sobre os exilados políticos que fala o criador do Teatro do Oprimido.

 

Número 141 · 29 de Julho de 2009 ·  Suplemento do JL n.º 1013, ano XXIX


III Encontro de Teatro dos Leitorados

Lusotaque – Colónia

 
 

 

 

O teatro político pode ter perdido, com a morte, em Maio passado, do dramaturgo Augusto Boal, um dos seus mais expressivos cultores em língua portuguesa, mas os seus temas continuam actuais. Pelo menos é isso que julga o grupo Lusotaque, da Universidade de Colónia, que apresenta no Encontro de Teatro dos Leitorados Murro em Ponta de Faca, daquele autor brasileiro, que esteve exilado em Portugal após o 25 de Abril. E é precisamente sobre os exilados políticos que fala o criador do Teatro do Oprimido.

 

LusotaqueA peça «trata de um grupo de brasileiros exilados que fugiram do seu país por perseguição política», explica Charlotte Grieser, encenadora da peça juntamente com Úrsula de Miranda Fleming e Annelie Moreira.

 

«Nesta obra Boal trabalhou sobre a sua própria experiência como exilado durante a ditadura militar no Brasil, mas também escreveu uma peça que não trata somente duma situação especial, mas dum tema universal que não tem nem época nem lugares», considera Grieser, membro do grupo desde a sua fundação.

 

«Os exilados não existiram somente no Brasil, mas também em Portugal, na Alemanha e em todo mundo […]. Por isso achámos que esta temática ainda interessa e, se calhar, seja mais actual do que nunca: nestes tempos não conhecemos somente exilados políticos, mas muitos exilados económicos».

 

Por «falta de tempo e de actores», que não podem deslocar-se a Portugal, no Encontro de Teatro dos Leitorados apenas serão mostradas algumas cenas do espectáculo, o segundo estreado este ano pela Lusotaque.

 

 

 


O Grupo

 

«O que nos reúne não é só a língua portuguesa, que é a base da nossa comunicação, mas também a paixão pelo teatro e o interesse noutras culturas». A afirmação pertence a Charlotte Grieser, membro do ‘núcleo duro’ do Lusotaque, e explica as características do grupo, criado em 2006 em Colónia na universidade local pela leitora Beatriz de Medeiros Silva, também fundadora do grupo de teatro Quasilusos, de Freiburg.

 

O Lusotaque, que integra, consoante os semestres, entre 10 a 30 estudantes, professores e outros entusiastas do teatro, poucos dos quais têm o português como língua materna, apresenta uma estrutura bastante consolidada, inclusive em termos estéticos e artísticos.

 

Na sua 7ª produção, transformou-se «num grupo de muitos interessados que não necessariamente estudam português, mas que por uma razão ou outra, falam. Seja porque são brasileiros ou portugueses seja porque passaram um tempo num país lusófono», adianta Grieser.

 

Apesar de em Colónia existirem muitos lusófonos, quer portugueses quer brasileiros quer alemães que dominam o português, no espectáculo do Lusotaque estreado no 1º semestre – NasciMente – KopfGeburten, com base em textos de Franz Kafka e Fernando Pessoa – foi pela primeira vez usado o alemão, recompensando a «fidelidade» dos espectadores que, não entendendo o português, fizeram a experiência «extrema» de ver teatro numa língua estrangeira, segundo explicou na altura Beatriz de Medeiros Silva.

 

Assim, o Lusotaque faz «parte da paisagem cultural da cidade de Colónia, uma das mais multi-culturais da Alemanha», no dizer da leitora.

 
Camões, I.P.
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