Menino Géza

Número 141 · 29 de Julho de 2009 ·  Suplemento do JL n.º 1013, ano XXIX


III Encontro de Teatro dos Leitorados

Teatro Rei Rudolfo – Budapeste

 

 

 

Depois de Portugal (2007) e Bom Quixote (2008), o grupo de teatro Rei Rudolfo escolheu mais uma vez uma peça húngara, traduzida e adaptada para português, para produzir o espectáculo que estreia no III Encontro de Teatro dos Leitorados.

 

Número 141 · 29 de Julho de 2009 ·  Suplemento do JL n.º 1013, ano XXIX


III Encontro de Teatro dos Leitorados

Teatro Rei Rudolfo – Budapeste

 

 

 

Teatro Rei Rudolfo - Menino GézaDepois de Portugal (2007) e Bom Quixote (2008), o grupo de teatro Rei Rudolfo escolheu mais uma vez uma peça húngara, traduzida e adaptada para português, para produzir o espectáculo que estreia no III Encontro de Teatro dos Leitorados.

 

Menino Géza (Gézagyerek) foi escrito pelo dramaturgo Háy János e publicada em 2004. Mesmo antes de publicada, a peça já tinha sido representada na Hungria, refere a leitora Clara Riso, criadora e animadora do Teatro Rei Rudolfo, de Budapeste.

 

São onze jovens, incluindo a docente portuguesa, que dão corpo à ficção dramatúrgica passada no início dos anos 90 – quando a Hungria conhecia a passagem do comunismo autoritário para o capitalismo democrático – numa pequena aldeia do norte do país, dominada por uma espécie de «monocultura» da pedra de que todos dependem, segundo a sinopse da peça encenada por Clara Riso.

 

Só que, na Hungria da época, «não há muita pedra a extrair, nem grandes construtores: as fábricas fecham, a indústria abranda e quase pára. A pedreira é agora de um alemão, que insiste em cumprir novas regras de segurança, antes desconhecidas».

 

É neste ambiente rural, que se mostra a vida de Géza, um rapaz autista que «sai da casa da mãe e vai também ele trabalhar para a pedreira, onde durante todo o dia deve vigiar a linha de montagem.»

 

 

 


O grupo

 

O Teatro Rei Rudolfo foi criado em 2006 e, desde início, assumiu que poria em cena textos de autores húngaros, traduzidos e adaptados para português, segundo explica a leitora do Instituto Camões na Universidade Eötvös Loránd (ELTE), de Budapeste, Clara Riso.

 

«Não por acaso, escolhemos para iniciar o nosso trabalho a peça chamada Portugal (1996), texto famoso e muito representado, em que o seu autor – Zoltán Egressy – antigo aluno de Departamento, fala de um Portugal longínquo, idílico e marítimo, no fim da Europa, com que sonham as personagens de um pequena aldeia húngara no coração do continente, onde sempre permanecerão».

 

A segunda produção do grupo foi Bom Quixote, adaptação de Világjobbítók (2001) de István Tasnádi, também um dramaturgo contemporâneo húngaro que trabalha com o reconhecido grupo Kretakör, já apresentado em Lisboa, na Culturgest, em 2005.

 

«Apercebemo-nos de que nos interessava pôr em cena […] autores húngaros, cujos traços de escrita, ambientes, citações e outras implicações fossem conhecidos de todos os membros do grupo», explica a leitora, que reconhece «não ser a opção mais frequente entre os grupos de teatro em língua estrangeira».

 

Os três projectos mostraram que «não apenas o trabalho de tradução e adaptação ganha relevo com esta metodologia, como também o facto de encenarmos textos que os actores podem conhecer paralelamente na sua língua materna contribui para que a representação seja mais consistente».

 

Actualmente, relata Clara Riso, o Grupo de Teatro de Budapeste conta com dez elementos entre os quais encontramos alunos e ex-alunos do curso de Estudos Portugueses, mas também «pessoas de fora da Universidade que aprenderam português noutros circuitos», e também o leitor brasileiro do Departamento de Português.

Camões, I.P.
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