Nunca Nada de Ninguém

Número 141 · 29 de Julho de 2009 ·  Suplemento do JL n.º 1013, ano XXIX


III Encontro de Teatro dos Leitorados

Khokhlama & Samogon - Moscovo

 

 

 

A peça já clássica de Luísa Costa Gomes Nunca Nada de Ninguém (1991) foi o texto escolhido pelo leitor João Mendonça João, da Universidade Lomonossov (MGU), para a estreia do grupo de teatro de língua portuguesa de Moscovo Khokhlamá & Samogon, estreia essa que vai ter lugar no Encontro de Teatro dos Leitorados.

 

Número 141 · 29 de Julho de 2009 ·  Suplemento do JL n.º 1013, ano XXIX


III Encontro de Teatro dos Leitorados

Khokhlama & Samogon - Moscovo

 

 

 

encarte141kA peça já clássica de Luísa Costa Gomes Nunca Nada de Ninguém (1991) foi o texto escolhido pelo leitor João Mendonça João, da Universidade Lomonossov (MGU), para a estreia do grupo de teatro de língua portuguesa de Moscovo Khokhlamá & Samogon, estreia essa que vai ter lugar no Encontro de Teatro dos Leitorados.

 

Traduzida e encenada em Inglaterra e Itália, a peça chega agora de Moscovo numa versão reduzida. «Apenas vamos representar o II acto, sem o terceiro interlúdio», refere Mendonça João, que entende ser a peça «acessível, em termos cénicos», e deixar «espaço para criar alguns extras», como a inserção de pequenos vídeos «para compensar a escassez de movimentos cénicos que a obra requer».

 

A dificuldade maior, diz, consistiu em «compensar a falta de rapazes que desempenhassem os papéis masculino», num grupo constituído apenas por raparigas. Mas as estudantes «acabaram por achar que seria divertido» desempenharem os papéis masculinos.

 

Fazendo a sinopse da encenação, o leitor explica que «o espectáculo começa com um pequeno vídeo de cerca de dois minutos», em que «três casais aparecem no registo civil a dar o laço», percebendo-se que «o vídeo já tem uns anos». Na cena seguinte «em palco estão três camas», ocupadas pelos respectivos casais. «Já alguns anos passaram desde as imagens de casamento. Entende-se que os casais entraram numa rotina conjugal irreversível», com discussões e acusações, entrecortadas «por monólogos, pregações de uma personagem ascética que toma a palavra à ponta do palco» e pela intervenção de dois anjos. A peça acaba com uma canção russa, relacionada com o tema.

 

 

 


O grupo

 

Na curta história do grupo de teatro de língua portuguesa da Universidade Lomonossov, criado em Fevereiro passado, há em primeiro lugar o ‘mistério’ do nome: Khokhlomá & Samogon. Khokhlomá é a designação de um tipo de loiça russa de madeira, pintada e envernizada, «cartão de visita do artesanato russo», e Samogon significa ‘aguardente’.

 

«O nome do grupo foi escolhido ao acaso», a dois ensaios do fim do ano lectivo, explica João Mendonça João. O leitor na MGU enviava pelo computador informação ao IC sobre a peça, mas continuava a faltar o nome. Um estudante entra no gabinete e traz um conjunto de loiça russa, a famosa Khokhlomá. «Estava um dia de calor e já apetecia beber algo refrescante. O frigorífico do departamento estava quase vazio, mas continha uma garrafinha de aguardente. Assim surgiu num ápice o nome do grupo», reza a história. Sem segundos sentidos, garante Mendonça João. «A aguardente é uma coisa caseira na Rússia, produzida com carinho pelas avós nas datchas, casas de campo russas. É servido quando há visitas e tem virtudes medicinais.»

 

Outra das características deste grupo é ser constituído exclusivamente por sete raparigas, estudantes de filologia portuguesa do 2º ano (6) e do 4º ano (1), sendo o leitor o 8º elemento e o único homem. Por brincadeira, as estudantes «costumam dizer que o grupo se formou à imagem da sociedade russa», onde por razões históricas há mais homens do que mulheres.

 
Camões, I.P.
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