Antes de Começar

Número 141 · 29 de Julho de 2009 · Suplemento do JL n.º 1013, ano XXIX


III Encontro de Teatro dos Leitorados

Pisca-pisca – Varsóvia

 
 

 

 

Depois de «terem feito as pessoas rir durante 10 anos», agora querem «tocar-lhes o coração» – é a intenção do grupo de teatro universitário de língua portuguesa Pisca-pisca, de Varsóvia, que escolheu Antes de Começar, uma peça de José de Almada Negreiros (1893-1970), para trazer a Barcarena, explica o leitor José Carlos Dias.

 

Número 141 · 29 de Julho de 2009 · Suplemento do JL n.º 1013, ano XXIX


III Encontro de Teatro dos Leitorados

Pisca-pisca – Varsóvia

 
 

 

 
  Pisca-Pisca - Antes de Começar
  KATARZYNA STACHOWIC
   

Depois de «terem feito as pessoas rir durante 10 anos», agora querem «tocar-lhes o coração» – é a intenção do grupo de teatro universitário de língua portuguesa Pisca-pisca, de Varsóvia, que escolheu Antes de Começar, uma peça de José de Almada Negreiros (1893-1970), para trazer a Barcarena, explica o leitor José Carlos Dias.

 

Não se trata propriamente de uma estreia, pois em 2003 o grupo já encenou esta «fábula profundamente lírica e comovente», representada pela primeira vez em 1949, de um dos grandes nomes do modernismo português, que gira em torno de «uma boneca e um boneco que se mexem como as pessoas», «algures num quarto cheio de brinquedos».

 

«O boneco não sabe que a boneca se mexe como as pessoas e a boneca não sabe que o boneco se mexe como as pessoas. As pessoas não sabem que o boneco e a boneca se mexem como elas […] é uma conversa entre um boneco e uma boneca, quando descobrem que se mexem e falam como as pessoas».

 

O que fazem os bonecos «quando não estamos a olhar para eles»? «Observam e comentam o mundo das pessoas grandes e o mundo das pessoas pequeninas, porque ‘as pessoas antes de serem grandes começam por ser pequeninas!’ »

 

 

 


O grupo

 

A primeira experiência do Grupo de Teatro Português (GTP), surgido em 1997/98 na Universidade de Varsóvia, «revelou, com bastante clareza, o que teria de ser alterado, e o que se poderia e deveria manter», conta José Carlos Dias, desde de 2002/03 à frente da ‘companhia’, rebaptizada em 2004 Pisca-pisca, «em homenagem a esse nobre instrumento indicativo de mudança de direcção».

 

A adaptação de o Auto da Barca do Inferno (Gil Vicente), o primeiro espectáculo, mostrou que «os textos teriam, obrigatoriamente, de ser actualizados», sublinha o leitor. «O objectivo principal que justifica a existência do GTP é o aperfeiçoamento das competências dos alunos em Português Língua Estrangeira, e a aprendizagem de um português do século XVI não é o mais desejado pelos alunos». «O português que querem conhecer e falar é o português de hoje», em especial «da mesma faixa etária». A modernização dos textos é feita com a participação dos estudantes, que ajudam a escrever e montar os espectáculos.

 

Optou-se também, diz José Carlos Dias, pela «continuação da encenação de comédias, por os alunos se sentirem mais à vontade, por se divertirem, por a reacção do público ser excelente».

 

No seu início, os cerca de 10 alunos integrantes do grupo eram na sua maioria finalistas da secção de Estudos Portugueses e Brasileiros da então Cátedra (hoje Instituto) de Estudos Ibéricos. Este ano o Pisca-pisca conta com «8 moças e 1 moço», entre 20 e 25 anos, diz José Carlos Dias, que quando em 2002/03 começou a desempenhar as funções de leitor na Universidade de Varsóvia sentiu como «imperativo continuar com a tradição já consolidada do teatro português».

 

Projecto pioneiro, o Grupo de Teatro «é agora uma componente sólida e uma das áreas mais valorizadas do currículo académico» da licenciatura de Língua e Cultura Portuguesa e os 12 espectáculos teatrais já encenados «têm sido muito importantes na divulgação da língua e cultura portuguesas na Polónia».

Camões, I.P.
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