Número 57   ·    19 de Fevereiro de 2003   ·     Suplemento do JL, Nº 845, Ano XXII

Língua Portuguesa em Angola: Língua da Paz, da Unidade, do Desenvolvimento


A ESCOM (Grupo Espírito Santo) patrocinou as viagens internas em Angola, no âmbito do protocolo recém-firmado com o Instituto Camões. A Presidente do Instituto Camões, Prof.ª Doutora Maria José Stock, o Adido Cultural em Angola, Dr. Mário Trindade e o Chefe de Divisão dos Centros Culturais, Dr. Luís Machado

A Presidente do Instituto Camões, Prof.ª Doutora Maria José Stock, deslocou-se a Angola, entre os dias 26 de Janeiro e 1 de Fevereiro, para uma visita de trabalho que a levou a diferentes pontos do país, com o objectivo de proceder ao levantamento exaustivo e avaliação das condições e acções em desenvolvimento no quadro da docência da Língua e Cultura Portuguesas. 

Graças a um protocolo recém-firmado entre o Instituto Camões e a ESCOM – Espírito Santo Commerce, sociedade com forte presença no mercado angolano e que garantiu as ligações aéreas entre as diversas escalas da viagem, esta visita constou de várias reuniões nas cidades de Luanda, Lubango, Namibe, Benguela e Lobito, com Leitores, responsáveis por diversas instituições de ensino, autoridades angolanas e representantes eclesiásticos.

Os trabalhos iniciaram-se na capital angolana, com uma reunião com os Leitores do Instituto Camões em Angola e na Namíbia. Após o diagnóstico das estruturas e funcionamento do Centro Cultural em Luanda, efectuou-se a análise das possibilidades de intervenção para um trabalho mais conjugado e articulado entre os Leitorados e o Adido Cultural. Seguiu-se um encontro com a Vice-Reitora da Universidade Agostinho Neto, no qual, além do balanço da cooperação realizada, se abordou a problemática da futura instalação do Centro de Língua Portuguesa naquela instituição, no quadro do ISCED, uma vez que o Governo angolano anunciou a construção da nova Cidade Universitária onde virá a ficar instalado o Centro.

Em reunião com o Ministro da Cultura, foram identificadas as áreas prioritárias para cooperação futura: património, formação artística, apoio a criadores, investigação científica e divulgação de eventos culturais, privilegiando-se a formação na área do Teatro. Quanto ao resto da jornada, foi dedicada ao delineamento de acções concretas para a promoção da Formação/Educação. Em reunião na Biblioteca Nacional de Angola, foi abordada a urgência do arranque, em parceria com a Biblioteca Nacional e com o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, de um curso de formação para formadores no domínio da Biblioteconomia, dada a urgência em capacitar os quadros angolanos das bibliotecas públicas. 

No Ministério da Educação, em reunião com o respectivo Ministro, esta temática voltou a ser analisada de forma mais ampla, tendo havido acordo quanto a algumas medidas a desenvolver no sentido da capacitação dos formadores em Angola, através do reforço das bibliotecas das escolas na área da Língua Portuguesa. Nesse encontro, ficou ainda expressa a possibilidade, em moldes a acordar entre as partes, de o Instituto Camões apoiar a realização, em 2004, de uma Feira do Livro Lusófono, em articulação com os Ministérios da Educação e da Cultura angolanos, à semelhança do evento a realizar dentro em breve em Timor.

Seguiu-se uma série de reuniões em estabelecimentos de ensino de Luanda, ficando acordado o apoio a acções de formação em áreas tecnológicas, formação de formadores, formação a distância, envio de material bibliográfico e equipamento, e atribuição de bolsas, numa perspectiva de reforço da formação de formadores de Língua e Culturas Portuguesas em Angola, preocupação que esteve igualmente presente aquando dos encontros com responsáveis de outras instituições de ensino superior, tais como a Universidade Lusíada, que demonstrou total abertura para a instalação de um Centro de Língua Portuguesa, em Luanda ou no Lobito, disponibilizando-se a assumir 50% dos custos. Foram igualmente analisadas as hipóteses de se encontrarem outros potenciais parceiros para idêntico propósito. 

Com a Universidade Católica ficou acordada a assinatura de novo protocolo com o mesmo objectivo, no quadro de uma conjuntura diversa daquela que presidiu ao primeiro protocolo assinado com o Instituto Camões.

No Lubango, após audiências no Palácio do Governador e do Arcebispo, a Presidente do Instituto Camões teve reuniões de trabalho no Centro de Língua Portuguesa no ISCED, onde funciona uma Licenciatura em Português, e noutros espaços culturais com potencial para a divulgação da Língua e Cultura Portuguesas.

No Namibe, no Palácio do Governador, com a presença do Delegado Provincial da Educação, foram ponderados objectivos desta visita a Angola, e aferidas em comum potencialidades de cooperação; em Benguela, além de uma reunião com o Governador e o Delegado Provincial da Educação, esteve na Escola do Magistério Primário, local onde, ainda este mês, será instalado um Centro de Língua Portuguesa, e também no ISCED, instituição que confirmou a integração, no próximo ano lectivo, da disciplina de Português em todos os seus cursos. 

Uma medida igualmente a adoptar, a partir de 2004, pelo Pólo da Universidade Lusíada no Lobito, última paragem de uma visita que resultará numa nova estratégia de consolidação e divulgação da Língua Portuguesa em Angola, atenta a conjuntura sócio-político-cultural angolana, optimizando-se as economias de escala e as parcerias locais, de forma articulada e conjugada entre todas as guardas avançadas da Língua Portuguesa.