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EXIGÊNCIAS CLIMÁTICAS

É uma cultura que prefere temperaturas médias elevadas ao longo do ciclo vegetativo, de 22 a 24ºC ou mais. Por outro lado e para que se verifiquem boas condições de produção, há dois parâmetros climáticos exigíveis: grau de insolação elevado e amplitude térmica diá ria algo significativa (da ordem dos 10ºC será o ideal). As quedas bruscas de temperatura e os ventos violentos são-lhe prejudiciais. As necessidades de água são bastante variáveis, dependentes de diversos factores: per meabilidade dos solos, extensão do ciclo cultural, quantitativos de precipitação e técnicas de maneio da água, comportando-se em 1000 mm a 1500 mm as necessidades da cultura irri gada. Para o arroz de sequeiro (arroz das chuvas, arroz de planalto, ou arroz de montanha) os quantitativos de precipitação, relacionando-se com as características físicas dos solos, de verão oscilar dentro dos mesmos níveis.

EXIGÊNCIAS EDÁFICAS

Uma conveniente selecção de solos apropriados para a cultura, sob irrigação, ou em regime de sequeiro, é exigível. No primeiro caso, é de se dar preferência aos solos pesa dos, de baixa permeabilidade, a fim de reduzir ao mínimo as perdas de água, enquanto que em exploração de sequeiro são preferíveis solos de texturas médias ou médias/fi nas, que aliem a uma elevada capacidade de retenção para a água, uma moderada ca pacidade de infiltração. Por sua vez os solos aligeirados podem proporcionar produções satisfatórias, ou mesmo boas, no caso de ocorrência de toalha freática próximo da su perfície.

Há que distinguir três tipos de exploração: o arroz de sequeiro, de fraca expressão, com centros de produção no Nordeste da Lunda, ligado ao sector empresarial e na área de Ban za Congo, de origem camponesa, a ocupar platós de solos Ferralíticos avermelhados, o arroz de inundação ou de alagamento não controlado, com áreas de incidência específica no Bié (Ringoma-Cambândua) e em Malange (Songo-Luquembo), a ocupar superfícies mal drenadas dominadas por solos Oxissialíticos pardacentos e por último o arroz de irrigação nas or las de baixa das redes fluviais do Longa (Quibala-Cariango) e do Lucala (MAPA 51). De re ferir ainda retalhos dispersos (nalguns casos concentrados) na Lunda (Saurimo, Dala) e no Alto Zambeze (Cazombo), a recaírem frequentemente em Aluviossolos humíferos grosseiros.

ZONAS MAIS FAVORÁVEIS À CULTURA

As zonas mais apropriadas à orizicultura confinam-se a determinadas áreas da superfí cie planáltica onde se reune um conjunto de factores de ordem climática, topográfica e pedológica, bastante favoráveis, além dos abundantes recursos aquíferos, devendo, todavia, considerar-se três situações bem diferenciadas (MAPA 52):

— áreas de cultura a envolver aplanações mal drenadas e periodicamente alagáveis das províncias do Bié e Malange, tradicionalmente arraigadas a técnicas de exploração rudimentar dos povos da região

— áreas planálticas das províncias do Cuanza Sul e Huíla, quanto a esta em correspondência com larga faixa compreendida pelos paralelos 14ºS e 15ºS, onde a orizicultura deverá preferencialmente incidir em Aluviossolos de texturas finas ou finas/médias das baixas fluviais, facilmente domináveis por esquemas de regadio

— no Baixo Cunene, em relação às baixas e terraços fluviais do respectivo curso e prin cipais afluentes e ainda do Baixo Cubango, em ambos os casos dominadas por Alu viossolos finos.

Relativamente aos casos apontados, sem dúvida que o do Baixo Cunene a integrar uma faixa marginal que se prolonga de forma descontínua da Matala ao Calueque, se considera como zona preferencial pelas excelentes condições climáticas (temperatura e oscilações térmicas diárias, humidade relativa, grau de insolação) e solos adequados.

DINIZ, A. Castanheira, (1998), Angola - o Meio Físico e Potencialidades Agrárias, Instituto da Cooperação Portuguesa, Lisboa