Estas rochas, como rochas ornamentais, são comercialmente bem conhecidas em todo o mundo como os «granitos negros de Angola». Nesta extensa mancha há zonas restritas em que, do ponto de vista comercial, a rocha se apresenta com mais fina granulometria, mais homogénea, sem a ocorrência de nódulos (conhecidos por «moscas, galhos ou carvão») que desvalorizam significativamente a pedra; São estas zonas que no conjunto da mancha anortosítica interessa considerar para valorização como rocha ornamental. A mancha gabro-anortosítica do Sul de Angola donde se extraem os afamados «granitos negros de Angola» tem sido objecto de numerosos estudos; estes, no entanto, encaram estas ocorrências essencialmente numa perspectiva da sua génese e características mineralógicas aprofundando o seu estudo químico-mineralógico, não dando grande relevo aos aspectos das suas características físicas e tecnológicas, isto é, ao seu estudo numa perspectiva do seu aproveitamento comercial como rocha ornamental. Efectivamente, nesta perspectiva, o que interessa fundamentalmente considerar são as propriedades físicas, técnicas e tecnológicas das pedras, que, embora intimamente relacionadas com aquelas, não têm sido realçadas nesses estudos. Por exemplo, a compacidade (isto é, a baixa porosidade ou impermeabilidade), a alta resistência à compressão, a dureza e tenacidade — ou, por outras palavras a sua maior ou menor dificuldade de corte e polimento — mas também a resistência mecânica ao uso, à tracção e à ruptura, são propriedades cujo conhecimento é essencial para o aproveitamento destas rochas como material ornamental mas cujo estudo global e integrado nunca chegou a ser realizado, sem embargo de terem sido efectuadas muitas determinações isoladas de amostras pontualmente recolhidas e de terem sido recolhidos elementos que possibilitariam efectuar este estudo de enorme interesse. Propriedades como a estabilidade química, a homogeneidade e a compacidade combinam para conferir à rocha uma boa resistência aos agentes físicos atmosféricos (repentinas mudanças de temperatura provocando congelações e descongelações) e também aos agentes químicos (presença de oxigénio, dióxido ou trióxido de carbono na água meteórica); Boa compacidade e coesão entre os constituintes minerais simples que constituem a rocha representam o ponto de partida para um bom acabamento das superfícies polidas —traço comum indispensável a todas as rochas utilizadas como rochas ornamentais. As rochas siliciosas são sempre mais duras que as calcáreas; as rochas magmáticas e as suas correspondentes metamórficas em particular são também de maior resistência e estabilidade quando atacadas pelos agentes atmosféricos. As zonas já conhecidas de maior interesse do ponto de vista do seu aproveitamento como rocha ornamental já se indicaram atrás: — Região Norte, com as zonas da Quihita, de Lufinda e de Mucanca; — Região Centro, com as zonas da Chibemba, Chinge e Pocolo.

Todas as pedreiras em actividade em 1974 extraiam a pedra dos morros que constituem o relevo residual que marca a paisagem, de modo geral muito desmantelados, constituindo um amontoado de grandes blocos naturais marcados por acentuada disjunção esferoidal. Em algumas das pedreiras em exploração — Mucanca, Mapembe, Nancégua e Cavine — constatou-se que em profundidade estes morros residuais se continuavam por blocos de enormes dimensões, praticamente compactos. Em todas as pedreiras e de modo geral em todo o complexo gabroanortosítico se notam quatro sistemas principais de falhas os quais correspondem às direcções preferenciais de fractura: N-S, E-W e NE-SW, NE-SE. De facto, os sistemas subverticais de fractura preferencial destas rochas, que possibilitam e facilitam o arranque da rocha dos seus maciços naturais, têm precisamente aquelas direcções: E-W o «rift» e N-S o «grain». O modo de ocorrência destas rochas permite o fácil estabelecimento de pedreiras com arranque e extracção pouco dispendiosos e de execução simples; este facto permitiu que alguns «curiosos» obtivessem alvarás de exploração. Apesar da facilidade há que seguir determinadas regras na montagem de uma pedreira, conhecer o comportamento da rocha «in situ» e ter conhecimento das preferências e desejos dos consumidores, sem o que, apesar das excepcionais condições favoráveis existentes, qualquer empreendimento neste sector estará votado ao fracasso.

GOUVEIA, Jorge Augusto da Cunha, Pedro Cabral de Moncada, José Frederico Aguilar Monteiro, Manuel Gregório Nunes Mascarenhas Neto (1993), Riquezas Minerais de Angola, - ICE, Cooperação Portuguesa, Lisboa