Nas áreas de incidência cultural, a ginguba é componente principal da dieta alimentar das populações, estando particularmente vulgarizada como tal a norte do. Cuanza, no cen tro e NE da Lunda e no Alto Zambeze. ZONAS MAIS FAVORÁVEIS À CULTURA No MAPA 48 implantam-se as zonas do território que ecologicamente se consideram co mo mais favoráveis à exploração do amendoim. Na delimitação cartográfica, além dos parâ metros. climáticos exigíveis, atendeu-se também aos aspectos edáficos e, nestes termos, os factores principais considerados foram os seguintes: - temperatura média acima dos 21°C, mais frequentemente entre 22°C e 24°C, com médias na estação chuvosa, onde recai o ciclo cultural, de 23°C a 25°C

- médias de precipitação compreendidas entre os 800 m e 1500 mm, distribuídos ao longo de uma estação chuvosa de sete a oito meses, coincidindo o ciclo cultural de Janeiro/Fevereiro a Maio, com o período das grandes chuvas

- humidade relativa média anual de 60% a 85%, com fraca amplitude diária

- grau de insolação acima das 1800 horas anuais, não se assinalando a ocorrência de geadas

- coincidência do final do ciclo vegetativo com o início da estação seca, garantindo-se deste modo uma maturação e colheita em boas condições

- a larga dominância de solos recomendáveis para a cultura do amendoim no interior do espaço territorial delimitado, tendo ficado de fora áreas de acentuada representa ção de solos argiláceos, ou solos afectados por hidromorfísmo, como por exemplo a Baixa de Cassange. 4 - ANANAZ

(Ananas comosus (L.) Merr.) EXIGÊNCIAS CLIMÁTICAS É uma planta muito exigente em calor e humidade. As temperaturas médias óptimas vão de 21°C a 24°C, não sendo conveniente temperaturas inferiores a 20°C, até porque em geral ocorrem em regiões de altitude demasiado elevada, o que torna os frutos mais ácidos, sobretudo quando colhidos na estação fria.

E muito sensível às baixas temperaturas, que lhe reduzem o crescimento ou mesmo podem provocar a sua paralização, suportando" apenas por curtos períodos de tempo temperaturas negativas e não tolera as geadas. E uma cultura que aprecia a forte lumi nosidade, todavia uma incidência directa e persistente da planta e sobretudo do fruto a uma forte insolação, acompanhada de altas temperaturas ao longo do dia, poderá tor nar-se prejudicial. Médias pluviométricas de 1000 a 1500 mm poderão considerar-se óp timas, todavia uma estação seca alongada de cinco e mais meses, terá efeitos contrapro ducentes, pelo que se torna aconselhável, sempre que possível, o recurso à rega neste período. EXIGÊNCIAS EDÁFICAS Os solos convenientes para a cultura são os de texturas ligeiras e medianas, bem areja dos, fáceis de trabalhar, com boa drenagem interna e boa capacidade de retenção para a água, além de providos de razoável nível de fertilidade. Não tolera solos pesados ou que possuam horizontes compactos no perfil a menos de 60 cml70 cm de profundidade, ou quaisquer outras situações incluindo as topográficas que possam provocar excessos de água que afectem o sistema radicular. ZONAS DE DISTRIBUIÇÃO CULTURAL N a parte quente e tropical do N -NW de Angola e de uma maneira geral no território a norte do Cuanza, o ananás distribui-se de forma esparsa um pouco por todo o lado, todavia com alguma incidência nas superfícies planálticas da Damba-Maquela e Cacuso-Malange e ainda no NE do Uíge e litoral de Cabinda (MAPA 49).

DINIZ, A. Castanheira, (1998), Angola - o Meio Físico e Potencialidades Agrárias, Instituto da Cooperação Portuguesa, Lisboa