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Os modelos coloniais contrastados

Devemos evitar os estereótipos que opõem os modelos assimilacionista e cultural francês, utilitarista belga e integracionista português, comercial e de indirect rule britânico. As práticas coloniais estavam ligadas às estruturas locais. Todavia, alguns traços característicos permitem identificar marcas diferenciadas da presença colonial.

Nas colónias britânicas dominava o indirect rule, preconizado por Lugard na Nigéria; o modelo colonial francês baseava-se na administração directa, do que resultava uma centralização e uma fraca intermediação administrativa ao nível local; o peso das chefaturas era aí muito fraco. Após a Grande Depressão, o princípio da assimilação impôs-se ao anterior. Os países francófonos herdaram práticas da administração francesa: centralização, hierarquização, remunerações não ligadas à produtividade, classificação em função dos graus académicos, sistema da antiguidade... O princípio subjacente é o da gratuitidade do serviço público (por exemplo: ensino, cuidados de saúde). Este modelo colbertista permite explicar que na actualidade se verifique uma relativa manutenção das administrações e dos regimes políticos.

Os sistemas escolares e os modelos culturais coloniais eram divergentes. Nas possessões britânicas, as particularidades locais eram mais respeitadas: ensino «adaptado ao meio», iniciativa privada mais importante, línguas vernáculas e formação profissional mais incentivada. Nas colónias belgas, o ensino muito selectivo, ministrado em língua vernácula e ligado às técnicas agrícolas, era muito utilitário. O modelo dos territórios franceses privilegiava sobretudo o ensino geral e um modelo cultural francês permitindo ingressar nos empregos do sector terciário (empregados de escritório, intérpretes, enfermeiros ou professores primários). O sistema dualista distinguia o ensino «indígena» (nível BEPC) daquele destinado aos cidadãos franceses. Estes modelos tiveram impactos não negligenciáveis na aparição de elites nacionais. As Províncias Ultramarinas portuguesas distinguiam os “assimilados» formados dos «não assimilados».

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HUGON Phillipe (1999), Economia de África, Lisboa, Editora Vulgata.