Camões  
  Revista de Letras e Culturas Lusófonas  
 
 
  Número 11      ·       Outubro-Dezembro de 2000  
 
 
 
Arquitectura Neomanuelina no Brasil 
A saudade da partida

Regina Anacleto


Real Centro Português de Santos

A arquitectura neomanuelina, tão intimamente relacionada com os descobrimentos, ao difundir-se no Brasil, quase sempre sob a responsabilidade de instituições portuguesas, assumiu-se como verdadeira extensão da que então se praticava em Portugal e representava uma ligação umbilical à mãe pátria distante. A autora irá debruçar-se sobre os edifícios - sede de três das mais representativas associações de pendor cultural e recreativo fundadas por imigrantes portugueses: o Gabinete Português de Leitura de Salvador, o Real Centro Português de Santos e, finalmente o mais importante, o Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro. Os edifícios foram construídos dentro de um gosto neomanuelino e, se não riscados por arquitectos portugueses, pelo menos, ideologicamente nacionais.

As associações que os imigrantes portugueses criaram derivaram da necessidade de terem um local onde se encontrarem, a fim de mitigar as saudades da pátria, de manter e ampliar uma cultura eminentemente nacional e de socorrer os compatriotas menos protegidos.

Como é óbvio, para instalar a sede destes movimentos ou assegurar os serviços pretendidos, necessitavam de imóveis que deviam responder ao fim a que se destinavam e estar de acordo com ideários que balizavam a sua maneira de ser e o seu imaginário espiritual. Uma vez que o manuelino, assumiu, entre nós, valor de arquitectura nacional com todo o corolário de efeitos que uma tal postura acarretava, fácil se torna compreender a aceitação e aproveitamento deste estilo por parte dos portugueses residentes no Brasil, e a sua aplicação nos edifícios que albergaram as suas associações.

 

 

 
 

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