Joanesburgo: Seminário académico dedicado à comemoração dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões

Descrição

No âmbito das celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, a Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, promove a organização de um seminário académico dedicado à comemoração dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões, no dia 6 de maio de 2026, às 9h30.

O evento contará com a participação das académicas sul-africanas Isabel Hofmeyr e Lucy Graham, investigadoras de reconhecimento internacional, com trabalho dedicado ao poeta e uma abordagem crítica às narrativas clássicas da obra na África do Sul, frequentemente assentes numa perspetiva colonial.

Professora na Universidade de Witwatersrand e investigadora associada à Universidade de Nova Iorque, Isabel Hofmeyr propõe uma releitura de "Os Lusíadas" como uma epopeia inserida nas redes culturais e históricas do Oceano Índico. A investigadora defende que a obra deve ser entendida como um texto em circulação, moldado por dinâmicas de mobilidade, contactos interculturais e interações transoceânicas.

Na sua intervenção, Isabel Hofmeyr irá explorar a forma como o poema reflete histórias mais amplas de circulação e intercâmbio, com base na tradução de Landeg White e na sua investigação sobre as redes do Oceano Índico. A análise destaca o papel das rotas marítimas e dos encontros culturais na construção do significado literário da obra.

Já Lucy Graham, professora na Universidade de Joanesburgo, desenvolve investigação nas áreas da literatura comparada, estudos culturais e teoria pós-colonial. A sua abordagem a Camões assenta numa perspetiva decolonial, centrando-se na figura do Adamastor e nas múltiplas releituras de "Os Lusíadas" na literatura e nas artes sul-africanas.

Durante o seminário, Lucy Graham irá analisar as narrativas de contacto presentes na obra, com particular enfoque no Canto V e nos diários de Vasco da Gama. A investigadora examina os primeiros encontros entre os marinheiros portugueses e as comunidades indígenas da África Austral, sublinhando a região como um espaço previamente habitado e interligado, com tradições marítimas anteriores. A comunicação abordará ainda narrativas de naufrágios e diferentes entendimentos do oceano, incluindo perspetivas indígenas sobre o contacto.

Esta iniciativa conta com o apoio do Camões, I.P.