O escritor António Lobo Antunes, considerado um dos mais importantes autores da literatura portuguesa contemporânea, morreu hoje, dia 5 de março de 2026, aos 83 anos.
Nascido em Lisboa, em 1942, Lobo Antunes deixa uma obra vasta, marcada por mais de quatro décadas de escrita intensa, profundamente influenciada pela experiência como médico militar em Angola durante a Guerra Colonial. Entre os seus títulos mais marcantes encontram‑se Memória de Elefante, Os Cus de Judas, Conhecimento do Inferno e Manual dos Inquisidores.
Em 2007, António Lobo Antunes foi distinguido com o Prémio Camões, o mais importante galardão literário em língua portuguesa, atribuído pelos Governos de Portugal e do Brasil,
A República Portuguesa condecorou-o com o Grande Colar da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras, em 2008.
O Camões, I.P. tem uma Cátedra com o seu nome, cuja inauguração foi celebrada em outubro de 2018. O protocolo de cooperação foi assinado entre a Università degli Studi di Milão e o Camões, I.P., e a sessão contou com a presença do escritor, que proferiu uma lectio magistralis. A Cátedra António Lobo Antunes está a cargo do Professor Vincenzo Russo e estrutura‑se em duas diretrizes: didática (ensino e difusão da língua e cultura portuguesas, incluindo um curso avançado com visiting professor) e científica/de difusão cultural (congressos, palestras, lançamentos e promoção editorial, incluindo parcerias com outras cátedras).
Ao longo da sua carreira, foi repetidamente apontado como um dos grandes nomes da ficção lusófona, reunindo reconhecimento tanto em Portugal como internacionalmente. A sua escrita distintiva — densa, fragmentada e centrada na memória — contribuiu para o seu estatuto de autor de referência.
Foto: Reinaldo Rodrigues