O realizador português Pedro Costa irá ser distinguido com o Prémio Robert Bresson, no dia 5 de setembro de 2026, no Lido de Veneza, no âmbito da 83.ª Mostra Internacional de Cinema de Veneza.
Criado em 1999, o Prémio Robert Bresson é atribuído anualmente a um cineasta cuja obra tenha demonstrado particular atenção à dimensão espiritual e ao valor da existência humana. É promovido pela Fondazione Ente dello Spettacolo e pela Rivista del Cinematografo, após consulta aos organismos da Santa Sé responsáveis pela Cultura e pela Comunicação. Representa um reconhecimento de absoluta singularidade no panorama internacional e constitui o único prémio cinematográfico concedido pela Santa Sé.
Segundo a Fondazione, impõe-se este galardão a Pedro Costa e ao seu cinema, um dos mais rigorosos e reconhecidos do panorama europeu contemporâneo, na medida em que soube dar forma a um universo poético e moral de rara intensidade, dando visibilidade, rosto e voz a comunidades e figuras frequentemente excluídas das narrativas dominantes.
A escolha de Pedro Costa para a 27.ª edição deste Prémio é, por isso, mais do que uma distinção de carreira: constitui um reconhecimento da dimensão ética e espiritual de um cinema que, frequentemente através de personagens marginalizadas e de comunidades socialmente invisíveis, procura interrogar a dignidade, a memória, o sofrimento, a solidão e a esperança.
Ainda segundo a referida Fundação, a atribuição do Prémio Robert Bresson a um cineasta português desta envergadura representa uma importante oportunidade para valorizar a cultura cinematográfica portuguesa no âmbito do Festival de Cinema de Veneza, reforçando o diálogo entre instituições culturais, o mundo do cinema, as universidades, a crítica e o público internacional.
Pedro Costa é um realizador português, nascido em Lisboa, em 1959. Considerado uma das figuras mais importantes do cinema português contemporâneo, estreou-se com "O Sangue" (1989) e, ao longo da sua carreira, desenvolveu um cinema marcado pela simplicidade, pelos planos longos e pela atenção às comunidades marginalizadas, especialmente às populações cabo-verdianas e aos habitantes das periferias de Lisboa. Entre as suas principais obras destacam-se "Casa de Lava" (1994), "Ossos" (1997), "No Quarto da Vanda" (2000), "Juventude em Marcha" (2006), "Cavalo Dinheiro" (2014) e "Vitalina Varela" (2019).
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